quarta-feira, 7 de setembro de 2011



As águas do Carimbó se encontram em Santa Bárbara do Pará

No remanso das águas tranqüilas dos rios e igarapés de Santa Bárbara do Pará, a meio caminho da Ilha de Mosqueiro, na região metropolitana de Belém, os tambores e maracas ancestrais ecoam o batuque e o canto invencível do CARIMBÓ, esse ritmo e essa dança nascida da criatividade e cumplicidade negra e indígena há mais de dois séculos, incorporada tão profundamente na alma paraense a ponto de ser reconhecida como uma das mais autênticas expressões de nossa identidade perante o mundo.

É o 1º ENCONTRO DAS ÁGUAS - Festival de Carimbó de Santa Bárbara do Pará, evento que acontece nestes dias 10 e 11 de setembro nessa cidade e que reunirá grupos, mestres, carimbozeiros e ativistas culturais de vários municípios paraenses, unidos sob a bandeira da Campanha Carimbó patrimônio Cultural Brasileiro. O evento é integrado ao Circuito ZIMBA PARÁ – Aliança de Festivais da Campanha do Carimbó, projeto que busca articular apoio e visibilidade para os festivais e eventos de carimbó no Estado.


E em Santa Bárbara, pequena cidade cercada de florestas e igarapés, o Carimbó vai chegar forte e belo como uma maré cheia, trazendo seus sotaques e sua diversidade para dois dias de festa e celebração da cultura popular paraense e brasileira.

Aqui vão chegar as tradições do carimbó da região metropolitana de Belém em suas várias vertentes, aquelas que resistem nas periferias onde falta tudo menos a alegria e a esperança, e que já nos revelaram mestres como Verequete, Cazuza, Manoel Alexandre, Juvenal, Hélio, Manézinho, Curica, Jaci, entre outros. É o carimbó urbanizado mas com seu sotaque caboclo preservado, zeloso da herança recebida dos antigos que vieram lá do interior lutar pela vida e trouxeram na bagagem essa música e essa dança.

Aqui se encontrarão com a tradição secular do carimbó da região do Salgado Paraense, das comunidades da beira da praia e dos grandes rios que deságuam no oceano, das pequenas vilas e cidades com nomes indígenas plenos de poesia como Marapanim e Maracanã, ou com nomes de antigas cidades portuguesas como Curuçá e Santarém Novo. De lá virão os herdeiros do talento de mestres como Lucindo, Uróia, Durval, Celé, eternizados na memória do povo dessa região e a nos ensinar o amor pela tradição carimbozeira que segue viva e cada vez mais forte.

A Pororoca do Carimbó

Segundo os irmãos Cazuza e Ilson, mestres do Grupo Unidos do Paraíso e idealizadores do evento, o nome do festival quer simbolizar esse encontro entre o carimbó que vem das águas salgadas e o carimbó das águas doces de Santa Bárbara e Belém, uma verdadeira pororoca cultural que promete arrastar os apaixonados pelo ritmo e o povo em geral.

Eles contam que a idéia de promover um festival na cidade vem desde 2008, quando realizaram o 1º Encontro da Campanha do Carimbó no mesmo Centro Comunitário que sedia o evento este ano. Desde então participam ativamente da Campanha, indo aos encontros e festivais promovidos nas demais cidades e observando o modo de fazer os eventos em cada lugar. A principal referência é o Festival de Carimbó de Santarém Novo, o FEST RIMBÓ, evento que conheceram de perto em 2010. “Agora é a nossa vez de receber todo mundo...”, comemora mestre Ilson.


A expectativa dos mestres e seus companheiros é de que participem grupos de vários municípios paraenses, tanto de Belém e região quanto do interior, principalmente do Salgado Paraense. “Já temos confirmação de grupos de Magalhães Barata, Curuçá, Maracanã, Capanema, Ananindeua e Belém, revela mestre Cazuza, compositor e vocalista do Unidos do Paraíso. “E olha que tivemos pouca divulgação...Já pensou se isso vai pro jornal e pra televisão?”, se diverte mestre Ilson, sempre bem humorado.

Se depender da vontade e alegria dessa dupla e seus aliados, Santa Bárbara vai conquistar seu merecido lugar no mapa do carimbó paraense, fortalecendo a tradição local, cujo estilo singular varia entre o rural e o ecológico nas letras e melodias inspiradas no cenário e cotidiano da cidade.

Organizado pelo Grupo de Carimbó Unidos do Paraíso em parceria com o Centro Comunitário de Sta. Bárbara e a Campanha do Carimbó, o 1º ENCONTRO DAS ÁGUAS tem o apoio da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, da Prefeitura Municipal de Sta. Bárbara do Pará, da Prefeitura Municipal de Marituba, da Rádio Comunitária Sta. Bárbara FM e de empresas locais. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.


O Festival e suas atividades

Veja aqui alguns destaques do Festival:

Troféu Mestre Cazuza: é uma Mostra Musical de Carimbó, não competitiva, onde os grupos de carimbó apresentam composições inéditas e originais, estimulando a renovação do repertório do gênero. Batizado em homenagem ao mais conhecido mestre de Santa Bárbara em atividade, é aberto a grupos de todo o Pará, distribuindo premiações nos estilos Raiz (ou tradicional, pau-e-corda) e Livre (que permite releituras e fusões), valorizando a beleza e diversidade dos sotaques e estilos do carimbó.

Encontro da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro: espaço de diálogos e reflexões onde se discutirá as questões relacionadas ao processo de registro em andamento e também as estratégias de fortalecimento e continuidade da rede social e cultural criada a partir desse movimento. Terá a participação do IPHAN, Ministério da Cultura, Fundação Cultural Tancredo Neves, dentre outras instituições.

Circuito Cine-Carimbó: mostra audiovisual itinerante sobre a temática do Carimbó que será realizada no âmbito do evento, com a exibição de filmes como “Chama Verequete”, “O Grande Balé de Damiana”, entre outros. O Cine-Carimbó é uma ação da Campanha do Carimbó e percorre as comunidades carimbozeiras da capital e do interior do Estado.

SERVIÇO:

O que: 1º ENCONTRO DAS ÁGUAS - Festival de Carimbó de Santa Bárbara do Pará
Quando: 10 e 11 de setembro de 2011
Onde: Centro Comunitário de Santa Bárbara, Rua Raimundo de Vera Cruz, nº 449, Bairro Centro, Sta. Bárbara do Pará.
Como chegar: Veja AQUI

Contatos da Coordenação:
• Santa Bárbara: (91) 9978-1483 (Davi) e (91) 9919-8176 (Mestre Ilson)
• Belém: (91) 8263-9738 / 91379017 / 8722-9502 (Isaac Loureiro)
• Correio eletrônico: carimbopatrimonioculturalBR@gmail.com


PROGRAMAÇÃO GERAL

Dia 10/set – Sábado
06:00
Alvorada do Festival com fogos e cantorias
09:00 às  12:30
Encontro da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”
Tema: O Carimbó e suas necessidades de promoção e salvaguarda 
Convidados: Grupos e mestres de Carimbó, IPHAN/PA, MINC Regional Norte, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Secretarias Municipais de Cultura da região
18:00
Abertura oficial do Festival
18:30
Festival Mirim de Carimbó
19:30
Circuito CINE-CARIMBÓ
20:00
Troféu “Mestre Cazuza”
00:00
Show com os Grupos Unidos do Paraíso e Sancari
Dia 11/set - Dom
  06:00
Alvorada do Festival com fogos e cantorias
07:00
Café da manhã
09:00 às 12:00
Encontro dos Mestres de Carimbó
Tema: Mestres e seus ofícios
Convidados: Mestres e Mestras de Carimbó
12:00
Almoço com banho de igarapé no balneário local
6:00
Arrastão do Carimbó
18:00
Festival Mirim de Carimbó
19:00
Troféu “Mestre Cazuza”
00:00
Show com os Grupos Unidos do Paraíso, Sancari e convidados

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

AÇÃO SOLIDÁRIA PELA SAÚDE DE MESTRE BENTO, DE MARAPANIM


Movidos pela solidariedade, grupos de carimbó e produtores culturais da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro se mobilizam para apoiar Mestre Bento Pereira Alves, fundador e mantenedor do Grupo Raízes da Terra, um dos mais tradicionais e conhecidos conjuntos de carimbó do município de Marapanim, um dos signatários do pedido de registro do carimbó como patrimônio cultural imaterial junto ao IPHAN em 2008.

Aos 84 anos, Mestre Bento enfrenta um grave problema de saúde pulmonar, só recentemente diagnosticado pelos médicos, e teve que ser internado pela segunda vez em menos de um mês para poder receber medicação permanente. O tratamento dele exige a realização de vários exames, alguns deles bastante caros para os modestos recursos de um mestre que sempre viveu da pesca e da agricultura, e que hoje sobrevive com uma irrisória aposentadoria.

Sua família vem desde então se desdobrando para conseguir os recursos necessários ao seu tratamento, mas a humilde condição material dos filhos e parentes impõe sérias dificuldades financeiras para atender as necessidades urgentes do mestre.

A Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, na qual Mestre Bento é liderança muito querida e respeitada, se soma ao esforço de familiares e amigos do mestre para assegurar com urgência as condições dignas de tratamento e breve restabelecimento de sua saúde. Para isso, estamos disponibilizando uma conta bancária para doações em dinheiro, bem como telefones de contato para quem puder ajudar de alguma outra forma. Toda ajuda é bem vinda, o importante agora é cuidar da saúde do mestre e garantir a continuidade de seu trabalho maravilhoso.

A conta bancária é: Banco do Brasil, Conta Poupança nº 11321-2, Agência 2272-1, Titular ZULEIDE PEREIRA ALVES.

Os telefones de contato são: (91) 9918-9368 (Zuleide Alves, filha do mestre), (91) 8263-9738 (Isaac Loureiro, coordenação da Campanha do Carimbó)

Evento cultural solidário em Marapanim

Sensibilizados com a situação, lideranças de vários grupos de carimbó de Marapanim, apoiados pelo Ponto de Cultura Memória Marapaniense, promovem neste domingo, dia 4 de setembro, um evento cultural em prol de Mestre Bento, visando arrecadar fundos para ajudar sua família nas despesas com seu tratamento. A iniciativa busca chamar a atenção da sociedade para a importância da valorização de pessoas como ele, um mestre de cultura popular, responsável pela preservação e difusão das tradições culturais do município e do Pará, em especial o nosso carimbó, hoje em processo de registro como patrimônio cultural brasileiro.

O evento acontecerá no Bosquinho de Marapanim, próximo ao Terminal Rodoviário, e terá apresentações de grupos de carimbó e a realização de um bingo com vários prêmios doados por empresas e instituições da cidade. A programação está prevista para iniciar a partir das 11 da manhã, com acesso livre do público em geral.

Saiba um pouco mais sobre Mestre Bento

Pescador, agricultor, compositor de carimbó, amo de boi-bumbá, organizador de cordão de pássaro, líder comunitário, memória viva da cultura marapaniense e paranese, mestre de cultura popular...Foi na prática de todos esses ofícios e funções que Mestre Bento conquistou a admiração e o respeito de sua comunidade, tendo se tornado uma referência para a cultura da lendária Marapanim, cidade considerada a capital do carimbó.

Fundador do Grupo Raízes da Terra, nascido em 1993 com o nome de Saratú, Mestre Bento hoje é reconhecido no Pará e no Brasil pelo trabalho desenvolvido em torno da valorização e difusão do carimbó tradicional, tendo sido contemplado duas vezes (em 2008 e 2009) com o Prêmio Culturas Populares promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade do Ministério da Cultura. Foi também um dos premiados pelo Edital Prêmio Maestro Adelermo Matos de Cultura Popular, realizado pela SECULT-PA em 2008. Em 2010 seu grupo teve o projeto de oficinas de danças regionais selecionado no Edital Microprojetos Mais Cultura para a Amazônia Legal, patrocinado pela Funarte/Ministério da Cultura.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"O Pau & Corda do Carimbó" celebra a vida e memória do Mestre Verequete em Belém


Hoje, 26 de agosto, é o Dia Municipal do Carimbó em Belém, data oficializada na gestão do prefeito Edmilson Rodrigues e que homenageia também um dos principais ícones do carimbó paraense, nosso saudoso Mestre Verequete, que fazia aniversário neste dia.


Para celebrar esta data e a memória do Mestre Verequete, o Grupo Sancari e a Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro realizam a terceira edição do "Pau & Corda do Carimbó", evento de caráter cultural e comunitário que acontece de hoje(26) até domingo (28)na Passagem Álvaro Adolfo, no Bairro da Pedreira, em Belém, endereço do Sancari e de outros carimbozeiros da cidade.



"O Pau & Corda do Carimbó" surgiu da iniciativa dos integrantes do Sancari com o apoio da comunidade local, que tem entre seus moradores pessoas oriundas de municípios do interior como Cachoeira do Arari, Magalhães Barata, Curuçá e Marapanim, localidades de forte tradição do carimbó. A idéia era proporcionar um espaço de valorização da cultura popular tradicional no coração da grande Belém, contribuindo para o reconhecimento e afirmação da nossa identidade cultural.


 As atividades desenvolvidas são variadas: oficinas de dança e musicalização para crianças e adolescentes, ornamentação e enterramento do mastro, palestras, apresentações e grupos de carimbó e artistas populares, entre outras ações, todas gratuitas e abertas ao público. O evento tem o apoio da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e dos moradores da Passagem Álvaro Adolfo.
  
Circuito CINE CARIMBÓ dá início à festa...



A abertura do evento ocorreu às 19 horas de hoje, com a realização do Circuito CINE CARIMBÓ que fez a projeção dos filmes "Chama Verequete" (2002) e "O Grande Balé de Damiana" (2006) para uma platéia atenta e maravilhada. Para esta primeira sessão contamos com o apoio da Regional Norte do Ministério da Cultura e com a colaboração e a presença de Luís Arnaldo Campos, diretor do "Chama Verequete", que fez questão de participar e render sua homenagem ao Mestre.



 O Circuito CINE CARIMBÓ é um projeto da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, que pretende circular pelas comunidades carimbozeiras do Pará exibindo filmes com a temática do carimbó e suas tradições. De inspiração cineclubista, o circuito chegará em breve aos municípios de Salinas, Curuçá, Marapanim, Santarém Novo, Maracanã, Santa Bárbara, Ananindeua, Soure e a Ilha de Maiandeua.
 
 
Programação do Pau & Corda continua no final de semana

As atividades se reiniciam neste sábado (27) a partir das 10 da manhã. Confira abaixo a programação:

  
Dia 27/08
Início as 10:00hs

*enfeitamento e enterramanto do mastro.
*palestras sobre o meio ambiente
*oficina de reciclagem.
*oficina de musicalização infantil de 03 a 14 anos.
*oficina de danças regionais e apresentação.
*resgate de brincadeiras de rodas.

*Show de grupos convidados (Inicio do show as 17hs)
O Som do Pau Ôco
Boi Malhadinho do guamá
Grupo de dança da comunidade
Cordão de Pássaros o Uirapuru
Grupo de Carimbó Sancari.
     Dia 28/08, início as 14 hs

    *Show dos grupos:
    Grupo Unidos do Paraiso e “Mestre Cazuza”, da cidade de Santa Bárbara.
    Grupo Quaderna 
    Grupo Paranativo do Bairro do Benguí

    Às 16:00:00 hs, derrubação do mastro

    Continuação do show com os grupos
    "Os Filhos da Cultura"' e Bosco Guimarães
    Grupo de Carimbó Sancari e amigos convidados

    Endereço: Avenida Marquês de Herval - Passagem Álvaro Adolfo entre as Travessas Curuzú e Antônio Baena (Pedreira)
    Informações pelos fones: 32280949/96073410/84832195

    quarta-feira, 27 de julho de 2011

    "O GRANDE BALÉ DE DAMIANA" É DISPONIBILIZADO NA INTERNET


    O GRANDE BALÉ DE DAMIANA from Instituto Marlin Azul on Vimeo.

    "O Grande Balé de Damiana" é um filme revelador da peculiaridade e das tradições da Irmandade de Carimbó de São Benedito, organização cultural centenária da cidade de Santarém Novo, no litoral do Pará, única remanescente e guardiã do Carimbó de São Benedito, manifestação que une a devoção popular ao Santo Preto e a paixão pelas festas de carimbó pau & corda, preservada e transmitida pela oralidade há mais de um século nesse município.

    O vídeo conta a história de uma jovem fictícia chamada Damiana, que sonhava em dançar nas festas de Carimbó da Irmandade de São Benedito, da então Vila de Santarém Novo, mas era impedida por uma antiga regra que proibia a participação dos jovens da comunidade nessas festas e previa uma punição terrível para quem ousasse desobedecer esse preceito. Ao desafiar essa regra, Damiana dá início a uma nova tradição que irá marcar profundamente o imaginário da comunidade.

    Tendo como cenário a natureza exuberante de Santarém Novo, a história de Damiana e sua paixão pelo carimbó apresenta o universo das tradições e da mística da secular Irmandade de Carimbó de São Benedito, hoje reconhecida como uma das mais importantes manifestações da cultura popular paraense e amazônica, mostrando ao público brasileiro um pouco desse Brasil profundo que a maioria desconhece, mas que é componente fundamental da identidade brasileira. Uma história e um olhar produzidos por pessoas da própria comunidade onde o vídeo será realizado

    O vídeo é resultado do Projeto Revelando os Brasis - Ano II, iniciativa do Ministério da Cultura, promovida pelo Instituto Marlin Azul com a parceria do Canal Futura. O objetivo é promover processos de inclusão e de formação audiovisuais através do estimulo à produção de vídeos digitais por moradores de cidades com população de até 20 mil habitantes.

    Esses vídeos são produzidos a partir de histórias selecionadas em um concurso nacional, cujos autores passam por uma oficina de formação básica em audiovisual. A idéia é democratizar a produção cultural em vídeo, selecionando propostas vindas dos municípios e transformando simples moradores, sem necessariamente nenhum conhecimento técnico, em diretores de filmes sobre sua comunidade ou região.

    Entre os 40 selecionados da edição de 2006 estava JOÃO PEREIRA LOUREIRO JUNIOR, jovem escritor do município de Santarém Novo, Pará, autor e diretor do vídeo, ele também devoto e dançarino do carimbó da Irmandade. As filmagens aconteceram na comunidade em agosto de 2006, mobilizando toda a cidade. O elenco e a produção é local.


    O vídeo está disponível para assistir no site do projeto Revelando os Brasis.

    Confira abaixo a ficha técnica e a sinopse do vídeo.

    Ficha Técnica
    Roteiro e Direção:
    João Loureiro Jr.
    Produção:
    João Loureiro Jr.
    Isaac Wyllian Farias Loureiro
    Elenco:
    Milka Santa Brígida de Souza
    Alba de Fátima Marques Costa
    Raimundo Corrêa Costa
    Eraldo Monteiro do Nascimento
    Ernaldo Loureiro da Silva
    Imagens:
    Wesley Braun
    Edição:
    Aladim Júnior
    Pedro Afonso
    Max Lima
    Som:
    Cássio Rosa

    SINOPSE: Encantada pela magia do carimbó, Damiana resolve dançar na Festa de São Benedito, ignorando a secular tradição que proíbe a participação de jovens. Ao quebrar essa regra, Damiana dá início a uma lenda que irá marcar para sempre o imaginário de Santarém Novo e do jovem Donato, que verá sua descrença cair por terra ao ver Damiana em seu eterno balé de carimbó.

    Conheça Santarém Novo: Fundação: 1961 / Localização: Nordeste paraense, a 136km de Belém / 6.028 habitantes / 230km²

    Transformado em freguesia em 1868, o povoado se tornou município em 1890. Porém, em 1906, as terras passaram a integrar o município de Igarapé Açu; após uma sucessão de tentativas em vão, a localidade ganhou autonomia política em 1961. É reconhecida pelas suas ricas e centenárias tradições culturais, das quais o Carimbó de São Benedito é a referência principal.

    sábado, 16 de julho de 2011

    MENSAGEM DE SOLIDARIEDADE AO MESTRE ALARINO E AO BOI CAPRICHOSO


    A Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro manifesta sua solidariedade ao Mestre Alarino e aos brincantes do Boi-Bumbá Caprichoso, de Belém do Pará, uma manifestação cultural popular que existe e resiste há mais de 60 anos na capital paraense e que agora, por conta de inúmeras dificuldades enfrentadas por seu mestre, se encontra às vésperas de ser definitivamente encerrada.

    Conhecemos Mestre Alarino e seu maravilhoso trabalho, premiado nacionalmente através do Prêmio Culturas Populares promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade do Ministério da Cultura, e reconhecido também pelo governo paraense por meio do Prêmio Culturas Populares "Mestre Verequete" concedido pela SECULT em 2009, além das inúmeras participações em eventos nacionais, regionais e locais sempre defendendo a causa das culturas populares e tradicionais, da qual é um grande e incansável guerreiro.

    É dele a frase que ficou famosa durante a II Conferência Nacional de Cultura e que definiu com sua sabedoria e simplicidade de mestre para que serviria a conferência: "para conferir se tudo está nos conformes." (confira aqui)

    E nos conformes, as coisas infelizmente não estão, principalmente quando um mestre como Alarino, apaixonado pela sua brincadeira, que dedicou sua vida a defender e manter viva a manifestação do Boi-Bumbá em um ambiente urbano como Belém, se vê obrigado a encerrar seu brinquedo para não vê-lo definhar sem apoio e condições dignas de existência.

    As comunidades e grupos carimbozeiros organizados na Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, lamentamos profundamente que uma tradição tão antiga e bela esteja ameaçada dessa forma, entendendo que a responsabilidade dessa situação cabe em grande parte à ausência, descontinuidade ou insuficiência das políticas públicas para as culturas populares e tradicionais de Belém, do Pará e do Brasil. Políticas essas que Alarino e seu Boi tanto batalharam para construir e que ainda exigem cada vez maior esforço, coragem e determinação de tod@s nós para que saiam do papel e nos ajudem a transformar a realidade de dura exclusão e preconceito enfrentadas por nossas manifestações tradicionais.

    Ao Mestre Alarino e seus brincantes, declaramos nossa solidariedade e fazemos côro às diversas vozes que se levantam em Belém e em outras partes do país pedindo que o Boi Caprichoso morra mais uma vez, mas de mentirinha, para ressuscitar novamente nas próximas quadras juninas que virão, mantendo viva a alegria e o encanto de nosso povo e de nossas crianças, as de hoje e as de sempre.

    Belém, Pará, 16 de julho de 2011.

    Contato do Mestre Alarino: (91)  3238-2673

    quarta-feira, 13 de julho de 2011

    CARIMBÓ DA IRMANDADE DE SÃO BENEDITO SE APRESENTA NO RIO DE JANEIRO EM EVENTO INTERNACIONAL



    O grupo de carimbó "Os Quentes da Madrugada" - da centenária Irmandade de São Benedito da cidade de Santarém Novo (PA) - participará pela primeira fez do FIL - Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens, cuja 9ª edição acontece no Rio de Janeiro no período de 05 a 17 de julho de 2011.

    O convite partiu da Secretaria da Cidadania e da Identidade do Ministério da Cultura, que promove durante esse evento o 1º Encontro Nacional Cultura e Infância, realizando debates e reflexões sobre a formulação de políticas culturais voltadas para as crianças e adolescentes brasileiros.

    Uma das atrações da Noite FIL da Cultura Popular, "Os Quentes" farão apresentação de música e dança ao lado de outros artistas populares como Lia de Itamaracá (PE), principal mestra cirandeira do país. Será um encontro inédito entre o carimbó e a ciranda, marcando um novo passo na luta pelo reconhecimento do carimbó como patrimônio imaterial da cultura brasileira, fortalecendo o processo de registro que está em andamento junto ao IPHAN/MinC.

    A participação dos "Quentes da Madrugada" no evento marcará o terceiro encontro do grupo com o público carioca, que já teve a oportunidade de vê-los em 2008,através do projeto de Circulação Nacional patrocinado pela Petrobrás, e em 2010, no Encontro Nacional da Diversidade Cultural promovido pela SID/MinC.

    A apresentação do grupo será às 20 h do dia 14 de julho (quinta-feira), no Teatro Carlos Gomes (Pça. Tiradentes, Centro).

    Vejam mais informações do evento no site http://www.fil.art.br/

    quinta-feira, 30 de junho de 2011

    80 anos de 'Batuque', do poeta Bruno de Menezes

    (Publicado no Diário do Pará em 30.06.2011)

     Foi em junho de 1931 que saiu a primeira edição do livro de poemas “Batuque”, do poeta e folclorista paraense Bruno de Menezes, um registro da presença do negro na cultura brasileira. De lá pra cá já saíram sete edições, o que para Maria de Belém, filha do escritor, é uma grande conquista.

    A segunda edição contou com ilustrações de Garibaldi, já a quinta foi uma tiragem especial em comemoração aos 350 anos de Belém. As ilustrações desta edição estão no piso do palanque da Praça Bruno de Menezes, no bairro de Canudos. O escritor publicou um total de 13 obras, sendo as primeiras tiradas pela Tipografia Guará, na Cidade Velha.

    Criado no festivo bairro do Jurunas, conhecido por suas tradições populares, Bruno de Menezes, ou Bento de Menezes, como foi batizado, só fez o curso primário, o que não o impediu de imprimir em seus livros todas as manifestações de sua vivência. Foi o ofício de encadernador que o levou a apaixonar-se pelo mundo dos livros.

    Obra reflete a musicalidade negra

    Maria de Belém tem em “Mãe Preta” e “Pai João” alguns de seus poemas preferidos do livro “Batuque”. Funcionária aposentada da Justiça do Trabalho, a filha de Bruno de Menezes esbanja lucidez do alto de seus 84 anos de vida, e não deixa de citar, com orgulho, seus irmãos e os atributos de seu pai. “Meu pai era um homem cordial, alegre e presente, sempre nos incentivava muito na leitura e nos estudos”, relembra.

    Com ilustrações de Raimundo Vianna, “Batuque” já foi adaptado para espetáculos e homenageado diversas vezes, como nas peças “Bento Bruno”, de Carlos Correia Santos, apresentada no ano passado pelos alunos da Fundação Curro Velho, no Teatro Waldemar Henrique, e “Batuque”, apresentado pela Cia. de Dança Clara Pinto no Theatro da Paz.
    (...)
    “A musicalidade dos poemas dele mostram o negro cantando a noite para disfarçar a dor de seu sentimento na senzala”, diz Maria de Belém.

    João Bosco Castro chegou a musicar “O Cheiro da Mulata” e a “Escola dos Sapos”. “Numa excursão à França, brincava-se que o cheiro da mulata se comparava ao cheiro dos perfumes franceses”, divertem-se as filhas de Bruno.

    “‘Batuque’ não fica só nas estantes de livros; é uma obra que tem um destaque popular e desceu para a alma do povo. São 80 anos de alma viva. Não é uma comemoração saudosa, é participativa”, emociona-se Maria de Belém.

    Leia a matéria completa AQUI.

    quarta-feira, 29 de junho de 2011

    Bumba-meu-boi do Maranhão terá registro como patrimônio cultural nacional

    Iphan abre prazo para manifestações sobre inscrição da festa no Livro do Registro das Celebrações


    O Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), abriu prazo para a manifestação da sociedade sobre o pedido de inscrição do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão no Livro de Registro das Celebrações.

    A proposta de registro do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão como Patrimônio Cultural do Brasil foi apresentada em 2008 pela Comissão Interinstitucional de Trabalho. O grupo é composto pela Superintendência do Iphan no Maranhão, Secretaria de Estado de Cultura, Fundação Municipal de Cultural, Comissão Maranhense de Folclore, Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular da Universidade Federal do Maranhão, representantes dos Grupos de Bumba-meu-boi dos Sotaques da Baixada, Matraca, Zabumba, Costa-de-mão, Orquestra e de Bois Alternativos e representantes e membros de grupos de Bumba-meu-boi e da comunidade. É bom lembrar que também nesse mesmo ano foi feito aqui no Pará o pedido oficial para o registro do Carimbó, que ainda não teve seu inventário concluído.

    O Bumba-meu-boi é uma festa tradicional onde a figura do boi é o elemento central. Reúne também outras manifestações culturais e, por isso, é chamado de complexo cultural. Muitas vezes definido como um folguedo popular, o Bumba-meu-boi extrapola a brincadeira e se transforma em uma grande celebração tendo o boi como o centro do seu ciclo vital e o universo místico-religioso. Profundamente enraizado no cristianismo e, em especial, no catolicismo popular, o Bumba-meu-boi envolve a devoção aos santos juninos São João, São Pedro e São Marçal. Os cultos religiosos afrobrasileiros do Maranhão também estão presentes na celebração, como o Tambor de Mina e o Terecô, caracterizando o sincretismo entre os santos juninos e os orixás, voduns e encantados que requisitam um boi como obrigação espiritual.

    As apresentações dos Bois ocorrem em todo o estado do Maranhão e durante todo o ano, mas concentram-se durante os festejos juninos. Seu ciclo festivo e de apresentações pode ser dividido em quatro etapas: os ensaios, o batismo do boi, as apresentações e a morte. O Bumba-meu-boi do Maranhão comporta, ainda, diversos estilos de brincar, os sotaques, com destaque para a Baixada, a Matraca, a Zabumba, a Costa-de-mão e a Orquestra, entre as muitas variações de estilo, além dos Bois alternativos. Alguns aspectos caracterizam a celebração como o boi, a festa, os rituais, a devoção aos santos, as músicas, as danças, as performances dramáticas, os personagens, os artesanatos e ofícios, os instrumentos e o caráter lúdico. Desta forma, a celebração articula várias formas de expressão e saberes, o que torna o Bumba-meu-boi uma manifestação com grande capacidade de mobilização social, reforçando laços de solidariedade entre os brincantes e contribuindo com a reconstrução da identidade social e cultural.

    As manifestações sobre o registro da candidatura devem ser enviadas, dentro do prazo de 30 dias – a contar a partir da publicação no Diário Oficial da União (24 de junho)-, por correspondência, para o novo endereço da presidência do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural – Presidente – SEPS, 713/913 bloco D, Edifício Lucio Costa , 5º andar – Brasília – Distrito Federal – CEP: 70390-135.

    Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2011/06/28/bumba-meu-boi/

    quarta-feira, 22 de junho de 2011

    PARANATIVO convida para a sua Roda de Carimbó de Junho

    Recebemos o convite e compartilhamos aqui com vocês. Participem. E viva o Carimbó vivo!

    quinta-feira, 16 de junho de 2011

    Em busca dos sons do Carimbó: matéria do Diário do Pará


    Aliado da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, que conheceu através da Irmandade de Carimbó de São Benedito (Santarém Novo/PA), Alfredo Bello (Selo Mundo Melhor/SP) retorna ao Pará e dá continuidade ao projeto de registro sonoro e audiovisual dos grupos e mestres tradicionais do gênero, iniciado em 2008 e que realiza agora mais uma etapa.

    Desta vez as gravações acontecerão no município de Salinópolis, cidade litorânea e turística na região do Salgado, lugar de uma belíssima tradição de carimbó praiano que vem sendo revigorada por conta do processo de registro do ritmo como patrimônio imaterial do Brasil.

    O roteiro previsto para as gravações é o seguinte:

    Dia 16/junho (quinta-feira): Gravações na cidade de Salinópolis, registrando os grupos de carimbó Revelação do Zimba, O Popular, Ritmo Salinense e Originais do Sal.

    Dia 17/junho (sexta-feira): Gravações na Vila de Coremas, com registro do Cordão de Pássaro Sabiá e do grupo de carimbó Raízes Coremar.

    Dia 18/junho (sábado): Gravações na Vila de São Bento, com o grupo de carimbó Ritmo Regional, sucessor do antigo Os Zíngaros.

    Em breve postaremos aqui o relato completo das gravações e atividades.

    Por enquanto LEIA AQUI a matéria publicada pelo Jornal Diário do Pará sobre essa iniciativa.

    sexta-feira, 10 de junho de 2011

    Chico Braga lança CD e vira tema de documentário

    (Publicada no Diário do Pará em 10.06.2011)

    Depois de amargar o ostracismo, o mestre de carimbó Chico Braga se prepara para ganhar uma dupla homenagem. Aos 66 anos, o músico irá lançar seu primeiro CD, “Tribo de Maiandeua”. Gravado em maio deste ano, o trabalho, que está em fase de pós produção, fará parte da caixa “Casarão”, com previsão de estreia para novembro. O box, com patrocínio do programa de incentivo cultural Conexão Vivo, será composto por álbuns de Calibre, Juca Culatra e os Piranhas Negras, Strobo e Metaleiras da Amazônia, artistas que fazem parte do Casarão Cultural Floresta Sonora, coletivo de músicos com sede em Belém. O projeto ainda prevê um making of da gravação de “Tribo de Maiandeua” e um documentário sobre Chico Braga, ambos em fase de produção.

    “A gente sempre admirou o Chico Braga. Eu o considero um dos nossos, mas, infelizmente, ele nunca foi levado a sério como músico”, diz Léo Chermont, produtor musical do CD e integrante do Casarão Cultural Floresta Sonora. “Já houve outras propostas de gravá-lo, mas o Chico sempre foi sacaneado. Ou ficou só na promessa ou plagiaram as músicas dele, sem pagar os devidos direitos. Ele é muito desconfiado em relação a isso”, diz.

    Projeto resgata história do carimbó

    Para convencer Chico Braga do contrário, o produtor se valeu dos três anos de convívio que estabeleceu se apresentando como músico na Ilha de Algodoal, local em que o carimbozeiro vive há 40 anos como pescador. “Demorou até amolecer o velho”, diz Léo.

    Natural de Magalhães Barata, Francisco Paulo Monteiro Braga é compositor, músico e fabricante de instrumentos. Contemporâneo de grandes nomes do gênero como Pinduca, Lucindo e Verequete, o talento do músico sempre foi eclipsado pela sua fama de artista maldito. “Ele tem uma aura marginal. Ele nunca fez música pra tocar em festival, vender CD. Ele escolheu uma vida simples, quis viver em paz na ilha. É o que ele diz: ‘Sou um pescador, eu falo com a Princesa, vivo na pobreza. Quando tem uma cachaça, eu tomo. Mas estou muito bem, obrigado’”, descreve Léo Chermont.

    Outra faceta do mestre é a de místico. Chico Braga diz receber visões de uma lenda local, a Princesa, que acredita encantar a ilha. “Há cerca de oito anos, Chico teve uma visão em que a Princesa alertava a respeito de uma inundação na ilha. Ele fez um carimbó a respeito e logo depois as ondas levaram as barracas da orla”, afirma Chermont.

    Convivência

    A gravação de “Tribo de Maiandeua” durou cinco dias, realizada em um estúdio móvel montado em Algodoal. Composto por 11 faixas, o CD irá reunir músicas consagradas do mestre como “Lago da Princesa” e “Chico Braga Mora na Praia”, além de algumas composições dos Nativos do Canal, banda base do trabalho.

    “A gente não queria centralizar tudo na figura do Chico Braga. Percebemos que é muito mais a comunidade se agregando e fazendo carimbó. Por exemplo, enquanto estávamos gravando o CD faltou o cara pra tocar maracá. Quem assumiu o lugar dele foi um caseiro que morava ao lado do estúdio”, diz Chermont.

    Maiandeua é o nome oficial da ilha, que caiu em desuso com a popularidade da sua vila mais populosa, Algodoal.

    “O povo de lá constitui uma tribo no sentido espiritual da palavra. A ilha é um lugar encantado e isso devia ser mantido. O Chico Braga é o protagonista da obra, mas abrimos espaço em algumas faixas para essa galera mais nova porque, afinal de contas, são eles que vão dar continuidade a essa tradição”, diz o fotógrafo Renato Reis, diretor do documentário sobre o mestre de carimbó.

    Distante 147 km da capital paraense, Algodoal vem sofrendo um veloz processo de modernização. Segundo o diretor, é através do carimbó que os nativos mantêm sua ligação com as tradições locais.

    “O documentário segue a mesma premissa do CD. Queremos mostrar mais a relação desses músicos com a ilha, qual o papel do carimbó no cotidiano deles. Além disso, nosso intuito é resgatar parte da história do carimbó, já que o Chico Braga é uma das mais importantes referências do estilo. Mas o filme diz muito a respeito do que Algodoal vem passando, da exploração que os turistas fazem sem deixar nada em troca”, revela Renato Reis.

    Veja a matéria completa AQUI

    quinta-feira, 7 de abril de 2011

    Nota de Pesar ao Grupo PARANATIVO

    No coração da grande cidade de Belém e em todo o Pará, nossos tambores silenciam em sinal de respeito e tristeza pelo falecimento de Dona Lourdes, mestra de cultura popular e matriarca do Grupo de Expressões Culturais Paranativo.

    O Grupo Paranativo foi criado em 1991 no Bairro do Benguí, na periferia de Belém, sendo reconhecido atualmente como um dos mais importantes grupos de cultura popular de nossa região, sempre trabalhando pela valorização e difusão das músicas e danças tradicionais paraenses e amazônicas. Dona Lourdes, aos 62 anos, sempre esteve de corpo e alma envolvida nas atividades do grupo, dedicando seu tempo e energia às ações que visavam melhorar a realidade do bairro e fortalecer nossa cultura.

    A toda à família de Dona Lourdes e ao Grupo Paranativo, manifestamos aqui nosso profundo pesar e nossa solidariedade em um momento tão triste.

    Que a alegria e sabedoria de Dona Lourdes permaneçam a iluminar os nossos passos.

    Belém, 7 de abril de 2011.

    terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

    Registro de particularidades dá fôlego ao Carimbó

    (Matéria publicada no Jornal Diário do Pará - dia 22/02/2011)

    A história da Irmandade de São Benedito remonta ao século XIX. No município de Santarém Novo, nordeste paraense, devotos do frei franciscano negro eram reprimidos pela Igreja Católica por usar o carimbó para celebrar a fé. Cem anos depois, não só a entidade persiste, como tornou-se fiel protetora da manifestação cultural. Desde 2007, encabeça a campanha “Carimbó Patrimônio Cultural do Brasil”, pelo registro do ritmo paraense como bem cultural imaterial brasileiro.

    “Percebemos que o carimbó precisa de reconhecimento para ser valorizado. E esse reconhecimento tinha que vir de fora, como parece ser o destino de toda manifestação produzida aqui. Basta lembrar que o carimbó existe há 200 anos, mas ainda hoje sofre um descaso tremendo”, diz Isaac Loureiro, integrante da Irmandade de São Benedito e organizador da campanha.

    A ideia surgiu durante o Fest Rimbó, festival dedicado ao carimbó de raiz realizado há dez anos em Santarém Novo. “Pensamos em algo voltado ao carimbó tradicional, com grupos e mestres de todo o Estado”, relembra. “A cada ano a procura era maior, mas os grupos não tinham recursos para sair de seus municípios”, diz.

    O carimbó vive uma contradição: ao mesmo tempo em que é usado como atrativo turístico e sinônimo da criatividade e expressão dos paraenses, os músicos tradicionais, especialmente os que vivem no interior, morrem sem registrar suas obras, com suas técnicas de confecção e manuseio de instrumentos perdidos no tempo.

    Em 2008, a Irmandade de São Benedito protocolou o pedido de registro do carimbó como patrimônio imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Esse pedido contou também com o apoio das associações Raízes da Terra, Uirapurú e Japiim, de Marapanim . A requisição foi aprovada no ano seguinte e desde 2010 o órgão vem produzindo um inventário sobre o ritmo, que servirá de referência para o registro. A primeira etapa da pesquisa, que consiste no mapeamento das comunidades e levantamento de dados, documentos e bibliografia relacionados ao ritmo, deve ser concluída em três meses.

    Até o momento foram visitadas a microrregião do Salgado, que reúne onze municípios, e a mesorregião metropolitana de Belém, composta de onze localidades, incluindo a capital. Ainda compõe o levantamento parte do “Inventário de Referências Culturais da Ilha do Marajó – INRC Marajó”, realizado pelo Iphan entre 2004 e 2007. O estudo será encerrado com a microrregião de Cametá, que reúne sete municípios.

    Estão estipuladas ainda outras duas fases: um estudo etnográfico, no qual os pesquisadores irão acompanhar a rotina dos mestres, e um dossiê com todos os dados coletados. Planeja-se a entrega do material para a segunda metade de 2012.

    “Só o registro documental é uma enorme conquista”, avalia Edgar Chagas, geógrafo e pesquisador do Iphan que desenvolve o estudo ao lado de mais dois técnicos. “Ao longo dos anos foi produzido um material rico, porém pequeno, sobre o carimbó. Existiam grandes autores como Vicente Salles (folclorista paraense, pioneiro na pesquisa musical da região no começo do século XX), as crônicas de grande viajantes. Mas nunca uma obra específica sobre o assunto”.

    DESCOBERTAS

    Exemplo disso são algumas particularidades do ritmo que vieram à tona a partir do estudo. A mais peculiar é justamente a aproximação do carimbó com as festividades de santo. Muitos grupos, como é o caso da Irmandade de São Benedito, mantêm uma ligação estreita com a religiosidade. Isso vincula a prática ao calendário religioso, concentrando as apresentações nos períodos de folguedos, como é a festa de São Benedito, comemorada em dezembro. “Nesse contexto, São Benedito vem se mostrando o santo do carimbó, pela sua popularidade entre os grupos. Logo em seguida vem São Sebastião”, aponta Edgar.

    Outra particularidade é uma reavaliação da influência negra junto ao gênero musical, antes considerado predominantemente indígena. Em algumas localidades, a cultura negra prevalece em sua formação rítmica, produzindo inclusive variações regionais, como o zimba em Vigia e o samba na região bragantina.

    No estudo preliminar já se delimita, inclusive, uma região simbólica para o ritmo. “É uma manifestação litorânea. Tanto que adentrado o território, no baixo Tocantins, passamos a não encontrar registro de grupos. Só um grupo folclórico ou escolar, aqui e ali”, diz o pesquisador.

    O QUE MUDA

    A partir do reconhecimento, o governo brasileiro passará a ter obrigação de garantir a difusão e a manutenção do carimbó. “Esse registro irá contemplar o carimbó com um caráter oficial, de um patrimônio cultural reconhecido pela Federação. A partir daí, o poder público terá o dever de desenvolver políticas para proteger esse bem”, explica Edgar.

    “Estamos na expectativa. Com o registro, as organizações e os grupos passarão a contar com recursos próprios para ações como produção de vídeos e CDs, viagens e elaboração de projetos culturais. Será a melhor forma de garantir que não iremos sacrificar a arte pela sobrevivência”, avalia Isaac Loureiro, já especulando o próximo passo da campanha. “Queremos ser reconhecidos como patrimônio da humanidade”, conclui.

    FAÇA PARTE

    Para saber mais a respeito da campanha “Carimbó Patrimônio Cultural do Brasil” acesse www.campanhacarimbo. blogspot.com ou mande um e-mail para carimbopatrimonioculturalBR@ gmail.com

     (Fonte: http://www.diarioonline.com.br/noticia-136311-registro-de-particularidades-da-folego-ao-carimbo.html )

    terça-feira, 14 de dezembro de 2010

    9º FESTIVAL DE CARIMBÓ DE SANTARÉM NOVO: O CARIMBÓ É NOSSA BANDEIRA!


    OS CURIMBÓS CONVIDAM PARA A GRANDE FESTA DO CARIMBÓ PARAENSE...

    Dezembro vem chegando ao som dos tambores, trazendo com ele o 9º FEST RIMBÓ – Festival de Carimbó de Santarém Novo, espalhando alegria e energia pela cidade nos dias 18 e 19 de dezembro de 2010, antecedendo a tradicional festividade de carimbó da centenária Irmandade de São Benedito.

    Realizado pela Irmandade de Carimbó de São Benedito desde 2002, o FEST RIMBÓ é muito mais do que um simples evento anual, consolidando-se como um dos principais espaços de valorização e difusão da cultura popular paraense. Território de encontro e celebração da diversidade do carimbó e suas várias vertentes, ao longo desses anos o Festival criou atividades importantes como Seminários, Encontro dos Mestres de Carimbó, Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbó, Mini-Festival com grupos infantis e Circuito Carimbó nas Escolas, além do Troféu Mestre Celé de Carimbó (estilos raiz e livre) e de animados bailes e shows com grupos regionais e locais.

    O evento é organizado pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, tendo este ano como parceiro o Ponto de Cultura Cruzeirinho, com o apoio do Prêmio Areté/Cultura Viva da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, do IPHAN-PA, do SESC-PA, da SECULT-PA e Fundação Curro Velho, além da Secretaria Municipal de Educação, Câmara Municipal de Santarém Novo e Casa Grande.

    O Festival de Carimbó de Santarém Novo tem como bandeira principal “o reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro”, buscando revelar ao Pará e ao Brasil toda a beleza, força e originalidade dessa tradição ancestral, apresentando as suas diversas expressões, tão ricas em timbres e estilos, dando visibilidade aos mestres tradicionais e estimulando os jovens músicos e dançarinos que são a garantia de sua continuidade e renovação.

    Acreditando ser necessário unir a festa com a reflexão, o show com o debate, a educação e a oralidade, o palco com a roda de conversas, cantos e danças, o Festival tem assumido a tarefa maior da construção de um dinâmico movimento cultural do carimbó, organizado pelas comunidades, grupos e mestres carimbozeiros que lutam por reconhecimento e dignidade. Este tem sido o objetivo maior deste Festival, considerado o principal evento vinculado ao movimento que luta pelo reconhecimento oficial do Carimbó em nível nacional.

    Por isso mesmo o 9º FEST RIMBÓ continua sendo o espaço privilegiado de articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, movimento cultural e social nascido no festival de 2005 e que vem lutando para registrar o Carimbó paraense como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Alguns frutos dessa iniciativa já começam a surgir, como a recente ação de salvaguarda da Flauta Artesanal do Carimbó realizada pelo IPHAN-Pará e o IAP.

    Carimbó e Samba de Roda se encontram em Santarém Novo para discutir ações de salvaguarda para a cultura popular tradicional

    Como parte da programação do Festival, a Campanha do Carimbó promove seu 6º Seminário, atividade criada para discutir junto aos grupos e artistas as questões relacionadas ao processo de registro do Carimbó em andamento e também as estratégias de fortalecimento e continuidade da manifestação na região.

    Desta vez abordando o tema “O Carimbó e sua salvaguarda”, o seminária terá a participação inédita de representantes do Samba de Roda do Recôncavo Bahiano, tradição ancestral que já é registrada como patrimônio imaterial do Brasil pelo IPHAN e reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. O convite partiu da Irmandade de Carimbó de São Benedito (Santarém Novo) para a Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia (ASSEBA), entidade que congrega os diversos grupos de Samba de Roda da região e que hoje é a principal organização a frente dessa manifestação.

    Segundo Rosildo do Rosário, presidente da ASSEBA, o encontro do Carimbó com o Samba de Roda será uma experiência valiosa para a construção de novas ações que garantam a salvaguarda, a valorização e a difusão da cultura popular tradicional do país. Para Isaac Loureiro, presidente da Irmandade de Carimbó de São Benedito, a presença da ASSEBA no Festival é fundamental para se conhecer as estratégias utilizadas pelos sambadeiros bahianos durante o processo de registro como patrimônio imaterial do Brasil e de como conseguiram o reconhecimento da UNESCO, uma conquista que a Campanha do Carimbó também pretende alcançar em breve.

    O Seminário também terá a participação do IPHAN-Pará, que irá apresentar os resultados do inventário do Carimbó em andamento e as ações do projeto Sopro do Carimbó realizado em parceria com o IAP, primeira iniciativa de salvaguarda oficial resultante do pedido de registro como patrimônio cultural imaterial.

    Além do Seminário, o Festival realiza também o VI Encontro de Mestres do Carimbó, espaço destinado a trocas, vivências e articulações entre mestres e mestras tradicionais que lutam pelo reconhecimento de seus saberes e fazeres. Contando com a participação de várias instituições culturais, como a Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, a SECULT-Pará e Fundação Curro Velho, o Encontro deste ano pretende abordar questões como o recém-criado Plano Nacional das Culturas Populares, a Lei Griô Nacional e a Lei dos Tesouros Humanos do Pará, propostas de políticas públicas que podem contribuir para a efetiva valorização de mestres e artistas populares, além assegurar os processos de transmissão oral junto às escolas e comunidades, ressaltando a importância desses mestres na preservação e transmissão da cultura tradicional às novas gerações.

    A diversidade de sons, ritmos e tradições do Carimbó em um só lugar

    O Festival de 2010 inclui ainda 9ª versão do Concurso de Composições de Carimbó, agora chamado “Troféu Mestre Celé de Carimbó” em homenagem a um dos mestres da Irmandade já falecido. Aberto a grupos de todo o Pará, o Troféu Mestre Celé tem proporcionado visibilidade e valorização de grupos e compositores de carimbó em atividade, distribuindo premiações nos estilos Raiz (ou tradicional, pau-e-corda) e Livre (que permite releituras e fusões), reconhecendo e afirmando a rica diversidade musical da manifestação. Hoje é considerada a mais antiga e representativa mostra de carimbó do Pará, recebendo grupos e mestres vindos dos municípios da região do Salgado, Marajó e Belém, revelando a beleza e diversidade dos sotaques e estilos desta tradição ancestral.

    É uma oportunidade única para conhecer e se encantar com a variedade e o colorido das diversas tradições carimbozeiras do Pará: o carimbó praiano das comunidades do litoral atlântico como Salinópolis, Maracanã, Marapanim, Curuçá, o carimbó marajoara de Soure e Cachoeira do Arari, o carimbó urbano de Belém e Ananindeua e o carimbó de São Benedito, este existente apenas em Santarém Novo e Quatipurú. Veja aqui o REGULAMENTO e a FICHA DE INSCRIÇÃO do Troféu Mestre Celé.


    E no FEST RIMBÓ o Carimbó não é coisa só de adultos não. O Mini-Festival de Carimbó com os grupos mirins é outra atividade criada para incentivar essa renovação e continuidade da tradição do carimbó. Realizado desde 2005, trata-se de uma mostra não-competitiva dos vários grupos de carimbó formados por crianças e adolescentes da região, a cada ano com novos grupos surgindo e revelando a força dessa manifestação junto às novas gerações. O FEST RIMBÓ foi o primeiro evento a oferecer esse espaço para as crianças e adolescentes mostrarem o talento herdado de seus pais, sendo referência para a criação de grupos mirins em vários outros municípios da região.

    Carimbó, um saber de tradição oral que sustenta nossa identidade e ancestralidade

    O Festival de Santarém Novo sempre teve a proposta de promover não apenas o espetáculo no palco, mas também reconhecer a importância do conhecimento tradicional presente no Carimbó, favorecendo sua salvaguarda. As Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbó, ministradas por mestres da Irmandade, se inserem no esforço da comunidade em transmitir sua tradição oral aos mais jovens e assim assegurar sua preservação e continuidade. Realizadas desde 2005, utilizam a pedagogia da oralidade e privilegiam os saberes de mestres e mestras da própria comunidade. Nesta edição serão ofertadas oficinas gratuitas de confecção de instrumentos artesanais (percussão e flauta), batuques, danças tradicionais, entre outras.


    A educação formal também é envolvida através do Circuito Cultural Carimbó nas Escolas, atividade que promove uma variada programação cultural nas escolas públicas locais no período que antecede o Festival. Desse modo busca-se a parceria com a escola pública como estratégia de promover e afirmar a força, a beleza e a diversidade deste valioso bem cultural.

    O festival realizará ainda Arrastões de Carimbó, Festa no Barracão, Alvoradas, Feira de Artes e Sabores Amazônicos, Cine-Carimbó e animados bailes e shows com grupos regionais, como o Grupo Cruzeirinho (Soure) e locais, como o Grupo Os Quentes da Madrugada.

    Confira aqui a PROGRAMAÇÃO COMPLETA do Festival.

    Todas as atividades do evento serão gratuitas e abertas ao público.

    Para saber mais sobre o evento, baixe aqui o RELEASE COMPLETO

    INFORMAÇÕES E CONTATOS

    •(91) 8722-9502 ou 8722-9502 (Isaac Loureiro)
    •(91) 9623-6878 ou 8253-2798 (Solange Loureiro)

    Visite o blog do Festival:
    http://www.festrimbo.blogspot.com/
    Mande um e-mail: carimbopatrimonioculturalBR@gmail.com

    quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


    9º Festival de Carimbó de Santarém reúne a diversidade sonora e cultural do carimbó paraense