sábado, 20 de dezembro de 2008

Carimbó em Cafezal reafirma a força da tradição dos antigos


Grupo "Raiz de Cafezal" realiza show em festa centenária da comunidade


A Vila de Cafezal, no município de Magalhães Barata, um dos mais antigos redutos do carimbó praiano na região do Salgado, realiza hoje, sábado, a tradicional festa de levantação do mastro de São Benedito ao som do grupo de carimbó "Raiz de Cafezal", que promove o show de lançamento do seu 1º CD e busca dar uma visibilidade maior para o ritmo cultivado nessa localidade.


O carimbó de Cafezal é considerado uma autêntica expressão da vertente praiana desse gênero musical, com relatos orais da comunidade revelando sua existência na vila desde o século 19. Disseminado entre os pescadores da região, o carimbó praiano é encontrado também em várias outras localidades do litoral, como Marapanim (vizinha de Cafezal), Maracanã, Salinas, e outros. Segundo o relato de mestres ainda em atividade, como Mestre Durval do grupo "Alegria de Cafezal", no tempo dos antigos as festas ocorriam sempre em dezembro e duravam três dias e três noites sem interrupção, com duas ou três "orquestras" de carimbó se revezando para dar conta do recado. Mestre Durval, que canta carimbó desde 1945 e teve recentemente seu registro feito pelo pesquisador Alfredo Bello (SP), é um dos convidados do show desta noite.


O grupo "Raiz de Cafezal" foi formado em dezembro de 2004 pelo músico Claúdio Albuquerque, com o propósito de dar continuidade e preservar, através de suas obras, o estilo musical herdado dos “antigos”. Radicado em Belém, o grupo no entanto tem vários músicos naturais de Cafezal, como Mestre Flávio, Filió e Gaiti, estes dois filhos de Mestre Durval.


O show em Cafezal é patrocinado pelo Prêmio Secult de Música, resultado do edital de mesmo nome que selecionou e está apoiando vários grupos e artistas paraenses a realizarem sua circulação por municípios do interior do Estado. A escolha do "Raiz de Cafezal" revela a força do carimbó e a qualidade musical do grupo, que aproveitou a oportunidade para fortalecer a festa tradicional da comunidade.


Contatos:

Fone: (91) 8144-6998

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

DEZEMBRO CHEGOU: É HORA DE FESTEJAR A COLHEITA!


Convite para o Encontro da Campanha em dezembro


“Quando eu rufo meu pandeiro
Toda a terra estremece
Água do mar balança, morena
Areia do morro desce...”
(Cantiga tradicional da região do Salgado)


Prezad@s,

Estamos em dezembro, último mês do ano, tempo de festas nos barracões, com mastros, ladainhas e alvoradas em muitas comunidades onde o Carimbó permanece como legítima expressão da fé e da festa de nosso povo.

Tempo de colheita dos roçados, com fartura de farinha, beijus e frutos da terra, partilhados com alegria e generosidade entre os batuques dos curimbós noite adentro, celebração de nossa identidade e diversidade em tantas cantigas e tradições preservadas por nossos mestres e mestras da oralidade carimbozeira.

Convidamos então tod@s vocês, que são parte dessa grande luta pelo reconhecimento do Carimbó como patrimônio cultural brasileiro, para nos encontrarmos novamente na grande roda de conversa e trabalho que estaremos realizando neste mês de dezembro, no dia 20 (sábado), das 9 às 13 h, na secretaria executiva da Campanha, localizada na Rua Domingos Marreiros, 728, entre 14 de Março e Generalíssimo.

Em sintonia com esse tempo e esse clima festivo, queremos também partilhar e celebrar a colheita deste ano de muito trabalho, sonho e festa em prol de nosso carimbó e da cultura de nosso povo. Também compartilhar idéias e sugestões para tecermos juntos as ações que a Campanha pretende desenvolver em 2009, fortalecendo e ampliando nossas iniciativas em cada comunidade. Em suma, festejar os frutos colhidos e semear já o que queremos colher no futuro.

Por isso tudo, sua presença é fundamental neste nosso encontro. A comemoração só tem sentido se for coletiva, assim como o trabalho. Traga sua energia para esta roda. Se puder, traga também alguma coisa para inteirar a merenda...

Nós esperamos por cada um(a) de vocês.

Abraços,

A coordenação.

PS: Se puderem, pedimos que confirmem sua presença através de nossos telefones (9995-4422 ou 8159-0594) ou pelo email carimbopatrimonioculturalBR@gmail.com

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O CARIMBÓ DE SÃO BENEDITO DE SANTARÉM NOVO (PA)


O Carimbó está para o Norte assim como o forró está para o Nordeste. É música de festa, onde se dança até o dia amanhecer. Absoluto na região do litoral paraense, não há cidade onde não se encontre um desses conjuntos. Junção caprichosa do pé batido indígena com o rebolado africano, o carimbó é um dos gêneros tradicionais mais significativos do país, onde sem conflitos se reúnem o sagrado e o profano, devoção e diversão, tradição e contemporaneidade.

O Carimbó da Irmandade de São Benedito de Santarém Novo apresenta características particulares que o destacam dos outros grupos do estado. A devoção a São Benedito propõe uma abordagem mais complexa da organização social e cultural da festa, e confere à ela identidade única. A existência do barracão como espaço sagrado e profano de devoção e diversão, a cada noite redecorado pelo festeiro do dia, é lotado, noite após noite, por gente de todas as idades a despeito do calor e da rigidez das regras, onde famílias inteiras desfrutam juntas desse espaço de integração social e formação ética.



A Irmandade de São Benedito, fundada há quase duzentos anos no município, mantém uma tradição extremamente complexa que envolve onze dias ininterruptos de festa, incluindo novenas, ladainhas, alvoradas, levantamento, derrubada e varrição do mastro, queima de fogos, pilouro – o sorteio dos festeiros, trajes tradicionais e diversos cargos como juízes, festeiros, mordomos, padrinhos, fiscais e outros. Dança, música, culinária, artesanato e procedimentos rituais compõem um precioso patrimônio cultural preservado pela oralidade.

Afirmando o vigor desta tradição, quase uma centena de candidatos disputa a cada ano o cargo de festeiros de cada um dos onze dias da festa, se responsabilizando pela decoração do barracão, pela apresentação de abertura, pelos comes e bebes, pela recepção da alvorada, pela reza da ladainha e a organização dos músicos.

O conjunto musical Os Quentes da Madrugada, que conduz a festa, é liderado com capricho e rigor por mestres como Dico Boi, Ticó e Zé Pitanga, chamando a atenção pela excelência artística de seu repertório e a precisão de seus músicos e cantores. Formado exclusivamente por lavradores, pescadores e tiradores de caranguejo da própria comunidade, o conjunto utiliza somente instrumentos de percussão produzidos artesanalmente pelos mestres locais, tais como os grandes curimbós escavados em tronco de árvore e encuirados com couro de animais, o rufo (espécie de pequeno tambor de marcação), maracás feitos de cuieiras, o reque-reque feito de bambu, etc. É uma verdadeira música da floresta, orgânica, profundamente ecológica e integrada à natureza e ao modo de vida realmente sustentável dos caboclos da Amazônia.


Teaser do documentário sobre Os Quentes da Madrugada (Mutante Filmes/SP)

A ausência de instrumentos de sopro e cordas levou à criação de uma
sonoridade única, um baque forte e sincopado conduzido pela voz poderosa dos cantores em um ritmo pleno de harmonia e simplicidade. As cantigas são tão antigas quanto a Irmandade, apresentando uma poesia simples e bela, com letras revelando as conexões existentes entre o trabalho, a natureza, o amor, a fé, a memória histórica, as origens ancestrais...São preciosidades esculpidas pelo tempo e preservadas pela oralidade da comunidade.

Os trajes tradicionais de dança – paletó e gravata para os homens e blusa de manga e saia longa para as mulheres – são adereços que sugerem e propiciam movimentos coreográficos muito particulares e extremamente graciosos aos dançarinos, que impressionam pelo seu virtuosismo. Esses trajes rituais derivam do caráter sagrado do Carimbó da Irmandade, sendo mantidos com rigor por todos os irmãos. A ausência de instrumentos de sopro, a forma de baile com pausas entre as canções para descanso e troca dos pares são características próprias do Carimbó de São Benedito de Santarém Novo.



Mantida na invisibilidade por séculos como a maioria dos grupos tradicionais, no final da década de 1990 a Irmandade começou a atrair o interesse de músicos, pesquisadores e ativistas da cultura popular de várias regiões do país, impressionados pela beleza, força e originalidade de sua tradição de carimbó. Seu inusitado encontro com o grupo paulista A Barca, por exemplo, produziu vários frutos importantes para a comunidade, destacando-se o projeto de gravação do primeiro CD de registro do grupo “Os Quentes da Madrugada”, tradicional conjunto de carimbó da Irmandade, realizado em 2005 com o apoio do Programa Petrobrás Cultural, fato que chamou a atenção da mídia nacional e regional e contribuiu para um maior reconhecimento e visibilidade desta manifestação no cenário cultural.

Fortalecida por essas ações, a Irmandade inicia então um processo de articulação junto a outros grupos e comunidades carimbozeiras em prol da valorização do carimbó em nível local, regional e nacional, tornando-se a principal organizadora da Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, uma iniciativa criada em 2006 no espaço do Festival de Carimbó de Santarém Novo e que tem como objetivo o reconhecimento desse importante bem cultural como patrimônio imaterial do Brasil junto ao IPHAN e o Ministério da Cultura. Com o início do processo oficial de registro do Carimbó pelo IPHAN em fevereiro de 2008, atualmente em andamento, o movimento liderada pela Irmandade conquistou visibilidade e respeito inéditos para o Carimbó e seus protagonistas, tendo se tornado uma rede de mestres, grupos e comunidades envolvendo cerca de 30 municípios do Pará, contando com o apoio de vários parceiros em nível regional e nacional.


Vídeo sobre a Campanha do Carimbó na Rede Brasil(Matapi Filmes)


Em setembro de 2008 a Irmandade conseguiu realizar o primeiro projeto de circulação nacional do Grupo Os Quentes da Madrugada, novamente com o patrocínio do Programa Petrobrás Cultural, que financiou a ida dos Quentes para São Paulo e Rio de Janeiro e proporcionou a esta comunidade a oportunidade de ampliar a difusão de seu patrimônio cultural para outras regiões do país. Na ocasião, o Carimbó de São Benedito também conseguiu articular seu encontro com outra tradição cultural importante para o Brasil, o Jongo do Tamandaré, na cidade de Garatinguetá(SP), onde os dois tambores irmãos puderam finalmente tocar juntos.



Outra conquista importante para a Irmandade foi o reconhecimento pelo Ministério da Cultura de sua centenária Festividade de Carimbó de São Benedito, selecionada pelo Prêmio Culturas Populares 2009 - Edição Mestra D. Isabel como uma das iniciativas culturais mais importantes para a preservação e valorização da diversidade cultural brasileira. Esse mesmo motivo também levou à premiação da Irmandade pelo Prêmio Culturas Populares “Mestre Verequete”, concedido pela SECULT/PA em dezembro de 2009, consolidando a Irmandade como uma das principais referências de cultura popular tradicional do Estado do Pará e da Amazônia.

Atualmente o carimbó em Santarém Novo é reconhecido e assumido como elemento basilar de nossa identidade cultural, tendo crescido sua atratividade sobre as crianças e os jovens do município que hoje buscam conhecer e vivenciar esta manifestação herdada de nossos ancestrais. O número crescente de novos grupos de carimbó, inclusive de crianças e mulheres, é sinal concreto e esperança de continuidade e renovação permanente do gênero no município. A valorização do conhecimento dos velhos mestres, a pesquisa, o registro e a difusão dos variados aspectos da tradição, da música e da dança do carimbó santareense, o nascimento de novos grupos e as experimentações musicais baseadas no ritmo tradicional constitui elementos que podemos identificar como um amplo e verdadeiro movimento cultural popular, cada vez mais forte e dinâmico.



Contatos
Isaac Loureiro (Irmandade de São Benedito)
Conj. Panorama XXI, QD 8, Casa 19, Mangueirão, CEP 66640-800, Belém/PA
Fones: (91) 8263-9738 ou (91) 8722-9502
Correio eletrônico: quintino_vive@yahoo.com.br
carimbopatrimonioculturalBR@gmail.com

7º FEST RIMBÓ em Santarém Novo revela e celebra a diversidade do carimbó paraense


Festival mobiliza dezenas de grupos na luta pelo reconhecimento do gênero como patrimônio imaterial

Animados pela alegria e energia dos mais diversos sotaques de tambores, carimbozeiros de todo o Estado se encontram em Santarém Novo, nordeste do Pará, nos dias 12, 13 e 14 de dezembro de 2008. É lá que acontece o 7º FEST RIMBÓ – Festival de Carimbó de Santarém Novo, grande movimentação cultural de carimbó que a cada ano envolve mais grupos e comunidades no processo de luta pela valorização e reconhecimento desse ritmo tradicional como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

Realizado desde 2002, o FEST RIMBÓ é muito mais do que um simples evento anual. Buscando contribuir para o reconhecimento e valorização do Carimbó como elemento essencial de nossa identidade cultural, ao longo desses sete anos o Festival incorporou atividades importantes como Seminários, Encontro dos Mestres de Carimbó, Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbó, Mini-Festival com grupos infantis, Circuito Carimbó nas Escolas, Arrastões e Roda de Tambores, além do Troféu Mestre Celé de Carimbó (estilos raiz e livre) e de animados bailes e shows com grupos regionais e locais.

Acreditamos necessário unir a festa com a reflexão, o show com o debate, a educação e a oralidade, o palco com a roda de conversas, cantos e danças. Integrar e articular vivências, idéias, propostas e caminhos comuns na construção de um dinâmico movimento cultural do carimbó, organizado pelas comunidades, grupos e mestres carimbozeiros que lutam por reconhecimento e dignidade. Este tem sido o objetivo maior deste Festival.

Campanha pelo registro do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro

O 7º FEST RIMBÓ também será um espaço privilegiado de articulação da Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro", movimento nascido no festival de 2005 e que vem lutando para registrar o Carimbó paraense como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Várias atividades da campanha acontecerão no evento, entre elas o seminário "Carimbó e Patrimônio Imaterial", que reunirá os grupos e mestres de toda a região, junto com as comissões criadas pela campanha em Santarém Novo, Marapanim, Curuçá, Algodoal, Maracanã, Sta. Bárbara, Ananindeua, Cachoeira do Arari, Icoaraci e outras localidades, com a participação de representantes do IPHAN, Ministério da Cultura, SECULT, Fundação Curro Velho, CENTUR, SESC e vários outros convidados.

O Seminário discutirá o andamento do processo de registro e a forma de participação das comunidades no inventário previsto para iniciar em janeiro de 2009. Também estará na pauta a intervenção da campanha no Fórum Social Mundial em Belém.

Encontro dos Mestres de Carimbó reafirma importância da oralidade e do conhecimento tradicional

Buscando a valorização do trabalho dos mestres e mestras do carimbó paraense, o festival também promove o 4º Encontro dos Mestres de Carimbó, atividade que desde 2005 reúne mestres de vários municípios para vivências, rodas de saberes e fazeres e debates sobre ações e demandas necessárias para garantir seu reconhecimento como agentes culturais responsáveis pela preservação e continuidade das tradições do carimbó em cada comunidade. Este ano o tema do encontro será "O papel social e cultural dos mestres das tradições orais no Brasil", onde os mestres discutirão, entre outras coisas, a criação de leis e projetos voltados para a valorização da tradição oral na educação, apoio financeiro, processos de transmissão de saberes, etc. O encontro marcará ainda o lançamento regional do Movimento pela criação da Lei Griô Nacional (ou Lei Nacional dos Mestres das tradições orais), uma iniciativa proposta pela Ação Griô Nacional durante a TEIA 2008 em Brasília, no mês de novembro, e que tem a Campanha do Carimbó como uma das articuladoras.

Troféu Mestre Celé revela e valoriza a diversidade dos sotaques do carimbó

O concurso de composições de carimbó do festival, batizado de Troféu Mestre Celé em 2007 para homenagear um dos mais importantes mestres da Irmandade de S. Benedito (Santarém Novo), é outra atividade que atrai um grande número de grupos e músicos carimbozeiros para o evento. Considerado um dos maiores do gênero, o concurso é um grande espaço de valorização e difusão da diversidade dos sotaques do carimbó paraense, sendo aberto a grupos de todo o estado.

O troféu revela a cada ano dezenas de novas composições de carimbó, tanto no estilo raiz, que busca preservar a expressão tradicional do ritmo, quanto no estilo livre, que estimula e reconhece as fusões e as inovações presentes em vários contextos. Os sotaques do carimbó, pouco conhecidos pelo grande público, vão desde o "praiano" (presente na região do Salgado) até o urbano (encontrado na região metropolitana de Belém), passando pelo sotaque marajoara, rural e o chamado "carimbó de santo" (este ainda preservado em Santarém Novo desde o século 19).

Durante o festival, todas essas vertentes convivem e tem a possibilidade de se conhecerem um pouco mais, fortalecendo a compreensão da força, beleza e diversidade dessa manifestação. "A troca de experiências entre antigos mestres e jovens músicos é fundamental para a continuidade e renovação do gênero", avalia Isaac Loureiro, coordenador do festival. O Troféu Mestre Celé conta com o patrocínio da SECULT, que irá destinar R$ 7.000,00 para as premiações do concurso.

Mini-Festival incentiva o amor pelo carimbó desde a infância

Outra atividade marcante no evento é o Mini-Festival de Carimbó, criado em 2005 para garantir espaço aos grupos de carimbó mirins da região, estimulando a participação das crianças e adolescentes dentro da tradição musical do carimbó. A cada ano, mais grupos mirins são criados, geralmente a partir de grupos adultos ou por iniciativa de mestres tradicionais que sentem a necessidade de fazer o repasse de seus conhecimentos para os mais jovens.

Foi assim que Mestre Bernardo Souza, 67 anos, criou o Trinca-Ferro Mirim em 2004, reunindo crianças da comunidade de Santarém Novo que demonstravam grande interesse pelo carimbó. Hoje um dos mais conhecidos grupos mirins do Estado, o Trinca-ferro Mirim tornou-se exemplo e inspiração para a criação de novos grupos, inclusive em outros municípios da região.

Como resultado desse processo, Mini-festival este ano terá a participação de grupos de Santarém Novo, Maracanã, Cafezal e da Ilha de Maiandeua, além dos grupos criados nas escolas municipais santareenses através de oficinas do Circuito Carimbó na Escola.

Oficinas de Saberes e Fazeres do Carimbó reúne mestres e aprendizes da tradição oral

Com o apoio da Fundação Curro Velho, o Festival realiza desde 2005 um ciclo de oficinas ministradas por mestres de carimbó locais voltadas para um público infanto-juvenil, principalmente alunos de escolas públicas municipais, buscando estimular o repasse dos conhecimentos associados ao carimbó para as novas gerações. A oficina de confecção de instrumentos tradicionais de carimbó, ministrada por Mestre Sabá, e a de percussão tradicional, ministrada por Mestre Dico Boi, são oportunidade valiosa para que esses saberes e fazeres sejam transmitidos e preservados na comunidade.

Os resultados poderão ser conferidos no espaço Taberna Pará que será montado pela Fundação Curro Velho no evento, onde haverá a exposição também de artesanato e o resultado de outras oficinas promovidas pelo Curro na região.

FEST RIMBÓ: o carimbó é nossa pátria!

O Carimbó é a música e a dança paraense por excelência. A criação da Campanha pelo seu reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro tem proporcionado o fortalecimento e valorização dos grupos e mestres espalhados por dezenas de municípios paraneses. Ao longo de todo esse processo, o FEST RIMBÓ vai consolidando sua história como um dos principais espaços de valorização e difusão da cultura popular paraense, território de encontro e celebração da diversidade cultural do carimbó e suas várias vertentes.

Informações e contatos:

Em Santarém Novo:Secretaria Local da Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro": Centro Solidariedade, Av. Francisco Martins.Fones (91): 9995-4422 (Isaac Loureiro) ou 9993-3745 (Waldirene Nogueira)
Em Belém:Secretaria Geral da Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro": R. Domingos Marreiros, 728, entre 14 de Março e Generalíssimo Deodoro, Umarizal.Fones (91): 9995-4422 (Isaac) ou 8159-0594 (Solange Loureiro)
Na Internet:
Blog: http://www.festrimbo.blogspot.com/
e-mail: fest_rimbo2008@hotmail.com

ZIMBARIMBÓ em Marapanim celebra o centenário de Mestre Lucindo


Evento fortalece a luta pelo registro do carimbó como patrimônio cultural brasileiro

Marapanim, a borboletinha do mar, cidade que se tornou uma das grandes referências do carimbó paraense, viu se realizar pela primeira vez o ZIMBARIMBÓ - Festa de Carimbó, evento cultural promovido nos dias 5, 6 e 7 de dezembro na Arena do Bom Intento e que reuniu cerca de 25 grupos de carimbó de Marapanim e região, atraindo milhares de pessoas.

Organizado pelas Associações Culturais Raízes da Terra, Japiim e Uirapurú, que uniram forças para garantir a realização do projeto, o ZIMBARIMBÓ marcou a celebração merecida do centenário de nascimento do saudoso Mestre Lucindo, maior ícone do carimbó marapaniense e cuja obra é conhecida no Brasil inteiro. O evento contou com a parceria de várias instituições, entre elas a SECULT, Fundação Curro Velho, IAP, Fundação Tancredo Neves e Prefeitura Municipal de Marapanim.


O nome ZIMBARIMBÓ é uma fusão das palavras "zimba" (como era chamado o carimbó antigamente na região) e "carimbó" (a forma atual), e marca também a experiência cada vez mais positiva de integração e protagonismo dos grupos e associações de carimbó locais na produção de seus próprios eventos culturais. Fortalecendo o processo de organização local gerado pela Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro, o evento também proporcionou um importante espaço de divulgação e valorização dos vários grupos de carimbó do município, alguns deles pela primeira vez tendo a oportunidade de se apresentar para um público tão grande.

A festa iniciou na sexta-feira, dia 5, com a levantação do mastro de São Benedito, uma antiga tradição que foi executada no evento pelo grupo de idosos "Alegria não tem idade", dançarinos tradicionais animadíssimos que ainda preservam o modo de dançar típico de Marapanim. A noite seguiu com a apresentação dos grupos e associações de carimbó de várias comunidades do município em um palco armado na arena, proporcionando um belo espetáculo aos presentes. Na madrugada a festa ia para o barracão de chão e palha montado no local, onde conjuntos se revezavam animando um público que nao arredava o pé do salão.


No sábado pela manhã os mestres e mestras de carimbó de Marapanim se reuniram em uma Roda de Saberes, coordenada pela professora Mariana (ASCUJA) e que teve a participação de vários convidados como Solange Loureiro (Irmandade de S. Benedito e coordenação da Campanha do Carimbó), Walmir Bispo (Superintendente da Fundação Curro Velho), Carlos Henrique (diretor de cultura da SECULT) e outros. A conversa foi tão boa que os mestres pediram que continuasse no dia seguinte, dessa vez sob a mediação de Isaac Loureiro (coordenação da Campanha do carimbó), havendo a partilha de vários relatos sobre a história e as tradições do carimbó marapaniense.

O sábado ainda teve a segunda noitada de carimbó no palco e no barracão, e a presença ilustre do Secretário de Cultura do Estado, Edilson Moura, que falou sobre a importância do evento, sobre o processo de registro do carimbó e prometeu um amplo apoio para a edição de 2009.

O ZIMBARIMBÓ encerrou no domingo com a entrega de troféus para todos os grupos presentes e a escolha da "Musa do Zimbaribó". Após a derrubação do mastro, a festa tomou conta do barracão e só parou ao raiar do dia, mostrando mais uma vez a força e vitalidade da cultura do popular marapanienese.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Festa da Diversidade Pará-Maranhense

Por Esperança Alves e Déa Melo

Falas de Mestres, arte educadores e representantes de instituições culturais; ladainhas em saudação a São Benedito; oficinas de danças do Pará - Roda, Retumbão, Bagre, Carimbó e Maranhão - Cacuriá, Tambor de Crioula, Bumba-Boi, Baião, Carimbó de Caixeiras; Shows e Festa no Barracão da Marujada de São Benedito preencheram o final de semana de 28 a 30 de Novembro em Quatipuru/PA, durante a segunda edição do Festival Maria Pretinha, organizado pela Irmandade Maria Pretinha, por “Outros Mundos Possíveis”- na Amazônia, no Brasil e no mundo.

Veja mais em www.maria-pretinha.blogspot.com

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Carimbó é registrado em CD

Projeto Toque de Mestre percorre municípios da região do Salgado para gravar músicas e documentário


O gênero que é um símbolo da riqueza da música popular paraense, o carimbó, está prestes a ganhar um registro em áudio e vídeo digno de sua tradição histórica. De hoje a domingo, o projeto Toque de Mestre, idealizado pelo músico e compositor Pedrinho Callado e realizado pela Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia, começa seu percurso pelos municípios de Curuçá e de Marapanim para gravar canções de quase 20 grupos locais de carimbó e lançá-las futuramente em um CD. De quebra, a equipe itinerante ainda irá registrar em vídeo os momentos da viagem para um documentário em DVD, que será lançado junto ao disco no ano que vem. O projeto tem o patrocínio da Oi, por meio da Lei Semear de Incentivo à Cultura.
Há pelo menos seis anos 'na gaveta', segundo Pedrinho Callado, o projeto Toque de Mestre surgiu a partir de um interesse bem conhecido no meio artístico local: o de divulgar e registrar de forma efetiva os movimentos populares que mantêm o carimbó vivo no interior paraense. A idéia, inicialmente, era percorrer dez municípios da região do Salgado, no Nordeste paraense, levando um 'estúdio móvel' para que os artistas pudessem gravar suas canções com apoio técnico de qualidade - mas, conforme explica o coordenador, algumas diretrizes foram adaptadas por conta de limitações estruturais.
'Passamos um bom tempo à procura de apoio para chegar nestes municípios, já que queríamos levar uma estrutura completa de gravação para os mestres populares, com equipamento de captação e uma equipe técnica de produção e edição de qualidade. Só agora, em 2008, conseguimos o apoio e optamos por passar por estes dois municípios, que reúnem mais de 40 grupos de carimbó e são os principais pólos do gênero em nosso Estado. Os 20 mais organizados e interessados foram contemplados pelo projeto para representar este cenário musical', explica Pedrinho.
Até amanhã, a equipe da Central de Produção fica instalada em Curuçá, onde os grupos populares Pinga Fogo, Raio de Sol, Explode Coração, Os Curiós, Alegria do Pará, Fenômenos e Sabiá do Araquain poderão gravar uma música cada, além de conceder depoimentos e entrevistas à equipe produtora do documentário. Na sexta (5), sábado (6) e domingo (7), o estúdio móvel chega em Marapanim para receber os grupos Borboletas do Mar, Raízes da Terra, Uirapuru, Japiim, Flor da Cidade, Novos Canarinhos, Flor do Mangue, Sereia do Mar, Pica pau, Estrela do Mar e Flor de Natal, além de dois grupos ainda não confirmados.
Se tudo der certo, o pacote com CD e DVD deve ser lançado até fevereiro do ano que vem. Além de conhecer todo o gingado e singularidade do ritmo, o interessado em adquirir o material ainda poderá conhecer um pouco do processo de elaboração de instrumentos artesanais.
Fonte: Amazônia Jornal (GUTO LOBATO)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Prorrogadas as inscrições para seleção de Pontos de Cultura no Pará


As inscrições para a seleção dos Pontos de Cultura no Pará foram prorrogadas para o dia 9 de dezembro. As instituições que perderam o prazo para inscrever suas iniciativas artístico-culturais terão mais uma chance de conseguir incentivo financeiro através do edital do Ministério da Cultura (Minc).

O projeto dos Pontos de Cultura, do Programa Cultura Viva (Minc), tem como objetivo apoiar instituições artístico-culturais (organizadas pela sociedade civil) através do repasse de recursos. As instituições que são selecionadas firmam convênio com a Secretaria de Cultura do Estado do Pará e com o Minc, e tornam-se responsáveis por articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades. Quando uma instituição é selecionada como ponto de cultura, recebe anualmente R$ 60 mil (R$25 mil em capital e R$35 mil em custeio).

O lançamento do edital para os Pontos de Cultura do Estado do Pará aconteceu no dia 09 de outubro de 2008, no píer da Casa das Onze Janelas, durante a programação do Círio “Nazaré de Todos Nós”. Serão selecionados 60 pontos de cultura em todo o Estado do Pará. Atualmente, o Brasil conta com 630 pontos de cultura, sendo que, no Pará, são com 20 pontos, distribuídos entre: 14 Pontos de Cultura, que desenvolvem as ações sociais previstas pelo Programa e especificadas nos editais; 3 Pontões de Cultura, que são responsáveis pela articulação entre os Pontos de Cultura; e os 3 Pontos de Redes , que, por sua vez, são os que servem para garantir a integração entre os Pontões.

Os projetos devem ainda propor como objetivo em seu conteúdo o desenvolvimento de ações continuadas em pelo menos uma das áreas de Culturas Populares, Grupos Étnico-Culturais, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Audiovisual e Radiodifusão, Culturas Digitais, Gestão e Formação Cultural, Pensamento e Memória, Expressões Artísticas, e/ou Ações Transversais. (Fonte: Adaptado do Portal ORM)

O edital pode ser encontrado no site www.secult.pa.gov.br/pontosdecultura
Ou na Sede da Secult (Avenida Magalhães Barata, 830. Bairro Nazaré).

Maiores informações nos telefones: 4009-8745 / 4009-8746
Ou nos e-mails: pontosdeculturapa@secult.pa.gov.br e dc.secult@gmail.com.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Festival Maria Pretinha em Quatipurú


Evento busca revelar e celebrar a diversidade cultural da Amazônia Atlântica

No próximo final de semana a cidade de Quatipurú, no Nordeste paraense, será ponto de encontro de diversas manifestações culturais tradicionais do Pará e do Maranhão. É o Festival Maria Pretinha - Ano II, evento promovido pela Irmandade Maria Pretinha em parceria com grupos culturais locais e de Belém, a se realizar no período de 28 a 30 de novembro de 2008, em vários espaços da cidade.

O Festival pretende promover uma amostra de diferentes expressões culturais, em louvor a São Benedito, na Amazônia Atlântica do Pará, em conexão e intercâmbio com o vizinho Maranhão, revelando identidades, diversidades e potencialidades da cultura popular brasileira, por um Mundo Criativo e Sustentável.

Marujada de Quatipuru, Carimbó de Santarém-Novo, do nordeste paraense, e a artista maranhense Rosa Reis e Banda – convidada especial do Festival; Rodas Vivas e Oficinas em Danças, Batuques e Rabecas de São Benedito, com Mestres Tradicionais, Cortejos Culturais, Baile-Espetáculos, e Bate-Papo com Mestres Urbanos - Arte-Educadores, Artistas e Agentes Culturais especialistas em Cultura Popular Brasileira, integram a programação do Festival.

A Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro" também fará parte da programação, com apresentações e oficinas do Carimbó da Irmandade de S. Benedito (Os Quentes da Madrugada) e participação na roda de conversa sobre "Cultura Viva - Patrimônio imaterial brasileiro" (ver programação abaixo)

Muito além da espetacularização da cultura, num processo abrangente e transdisciplinar, o Festival, com as suas principais atividades que estarão a promover uma convivência lúdico-estética em trocas de Saberes e Experiências, Prazeres e Necessidades entre os diversos protagonistas da Cultura Popular Brasileira na Amazônia Atlântica, tem por objetivo central reconhecer, valorizar e fortalecer as expressões tradicionais dessa dimensão da cultura, como ferramenta importante de Auto-AfirmAção Identitária; Formação-Desenvolvimento Humano e Lúdico-Estético; e Sustentabilidade Socioambiental.

A Idealização e Realização do evento é de “MARIA PRETINHA – Aliança de Culturas Populares da Amazônia Atlântica”, que integra Mestres de Cultura Popular, Marujos e Marujas, Arte-Educadores, Artistas e Agentes Culturais de Quatipuru, e Ong Mana-Maní, de Belém, aberta a novas adesões. O evento tem o apoio da SECULT através do Edital Adelermo Matos 2008, IAP, Fundação Curro Velho, EMUFPA e outras instituições.

Confira a programação do Festival:

Sexta-Feira: 28/Nov/2008
20h00 às 22h00
RITUAL DE CHEGANÇA
Ø Marujas Tradicionais e Mirins
Ø Convidados do Festival – uma amostra do que vai acontecer
Local: Barracão da Marujada

Sábado: 29/Nov/2008
08h00 às 12h00
"Cultura – Arte, Educação e Transformação” – Falando disso com:
Ø Mestres de Cultura e Arte-Educadores
Ø MANA-MANÍ/PA, FCV/PA, LABORARTE/MA
RITUAL DE CHEGANÇA DA COMITIVA DE SÃO BENEDITO
Local: Barracão da Marujada

14h30 às 18h00
OFICINAS: Inscrições de 24 a 28/Nov, na Secretaria Municipal de Cultura de Quatipuru; ou via net: mariapretinha@amazon.com.br
Ø Danças do Pará e Maranhão
Local: Salão Paroquial
Ø Batuques de São Benedito
Local: Barracão da Marujada
Ø Rabecas da Amazônia
Local: Auditório da Prefeitura Municipal

18h30 às 20h00
MOSTRA de CURTAS da Amazônia
Ø Chama Verequete – Direção: Rogério Parreira
Ø O Grande Balé de Damiana – Direção: Júnior Loureiro
Ø Puxirum – Direção: Rogério Parreira
Ø Casa Fanti Ashanti – Direção: Olindo Estevão
Ø Brilho da Sociedade – Direção: Olindo Estevão
Local: Pracinha do Barracão da Marujada

20h30 até dizer chega...
FESTANÇA
Ø Grupo Raio do Sol (Marujada de Quatipuru/PA)
Ø Quentes da Madrugada (Carimbó de Santarém-Novo/PA)
Ø Rosa Reis e Banda (Danças, Cantorias e Batuques do Maranhão)
Ø Grupo Batuque (Turma da Oficina de Percussão Popular da EMUFPA)

Domingo: 30/Nov/2008
09h00 às 12h00
CULTURA VIVA – PATRIMÔNIO IMATERIAL BRASILEIRO
Falando disso com:
Ø Mestres de Cultura e Arte-Educadores
Ø Coordenação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”Ø MINC
Ø IPHAN
Ø SECULT
RITUAL DE DESPEDIDA
Local: Barracão da Marujada

Outras atividades

EXPOSIÇÃO E FEIRINHA – no decorrer do Festival, haverá feirinha de artesanatos e produtos de Projetos SocioCulturais da comunidade e parceiros.
Local: Pracinha do Barracão da Marujada
Coordenação do Festival Maria Pretinha - Ano II

Contatos: mariapretinha@amazon.com.br
www.maria-pretinha.blogspot.com

Encontro da Campanha em Ananindeua revela a força do Carimbó Urbano em luta pelo reconhecimento

Por Hugo Cezar e Isaac Loureiro


Na manhã de domingo do dia 23 de novembro de 2008, na Escola Clóvis Begot, no Bairro de Águas Lindas, o município de Ananindeua realizou seu primeiro Encontro de Articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, reunindo grupos, mestres e amantes do carimbó da região para construir a organização desse movimento nesse município, buscando sua integração na grande rede carimbozeira que vem sendo tecida fio a fio, ponto a ponto, ligando pessoas, grupos e comunidades envolvidas com essa tradição popular.


Apesar do município não ser tão antigo, já revela um carimbó com identidade própria, dialogando intensamente com a realidade urbana e multicultural de Ananindeua, segunda maior cidade paraense, lar de muitas famílias vindas do interior do estado, principalmente da as antigas Zona Bragantina e do Salgado, territórios de muitas tradições culturais. O Carimbó ananindeuense se alimenta dessas raízes, no entanto vem somando elementos instrumentais bem ecléticos como contra-baixo e rabeca, com canções que refletem o cotidiano mais urbano ao mesmo tempo que cantam a saudade da terra natal de muitos dos seus compositores.

Essa diversidade esteve bem representada no encontro por conta do grupo Amigos do Carimbó (do bairro de Águas Lindas) e Pindoramas (da Cidade Nova). Enquanto primeiro insere novações como rabeca e contra-baixo, o segundo preserva o modo tradicional. Entre palestras e reuniões, esses grupos apresentaram uma sonoridade peculiar, garantindo a festa e diversão pra quem foi ao encontro.


Grupo Amigos do Carimbó

O ciclo de palestra começou com o coordenador-geral da campanha, Isaac Loureiro. Isaac fez um apanhado histórico da campanha (iniciada em 2005 durante o Festival de Carimbó de Santarém Novo), contando como se deu essa evolução até se chegar de fato a um movimento cultural que busca mobilizar e sensibilizar a sociedade como um todo. Explicou também como está se dando as articulações nos municípios, bem como se apresenta atualmente a campanha. Foi informado também quais serão os próximos passos do processo de registro e as atividades organizadas pelas comunidades, como os Festivais que acontecem em Quatipurú (Maria Pretinha), Marapanim (ZIMBARIMBÓ) e Santarém Novo (FEST RIMBÓ) nesse fim de ano. Também falou sobre a participação no Fórum Mundial Social, onde a campanha pretende realizar um Encontro de Articulação Nacional com pessoas e organizações do Brasil inteiro. Por fim, falou como o pólo de Ananindeua poderá se articular para desenvolver a campanha.

Em seguida, tivemos a fala de Mariana Sampaio, do DEPHAC/SECULT, que esclareceu todo o processo para se realizar o registro de um bem imaterial, no caso o carimbó, tirando todas as dúvidas a ele relacionadas. Explicou também a importância de se realizar esse registro através do IPHAN, garantindo que após o reconhecimento oficial do carimbó como patrimônio se crie o compromisso dos governos e da sociedade com a preservação e difusão desse bem, inclusive o direito de ter acesso às políticas públicas de cultura necessárias para essa manutenção e valorização. Ao final, mostrou o andamento do processo, revelando que já foi aberta licitação para contratação dos técnicos que realizarão o estudo do inventário para tornar o carimbó, patrimônio cultural.

Em clima de roda de conversa, Isaac Loureiro convocou vários mestres presentes no encontro para um bate-papo bastante descontraído sobre a vivência e memória de cada um a respeito do carimbó. Dentre eles estava a figura ilustre do mestre Mário Neves, do lendário grupo “Os Brasas da Marambaia”, um dos mais populares conjuntos de carimbó da década de 70 em Belém que chegou a gravar dois LP’s. Ao lado dele outras figuras maravilhosas como o músico e carpinteiro Manoel Alexandre, do grupo “Amigos do Carimbó” (que já foi cantor de brega e veio de Irituia), Seu Canuto e Seu Laranjeira (naturais de Marapanim, do grupo “Pindoramas”), Seu Pedro (rabequeiro que veio de Bragança e hoje toca carimbó), entre outros mestres. Compartilhando histórias e pequenas "palhinhas", esse encontro foi marcado por emoções e a esperança de bons ventos para o carimbó.

Mestres

Após esse momento, foi realizado o trabalho em grupos para discutir algumas propostas para a organização da campanha em Ananindeua, levando em conta questões como comunicação, educação, memória dos mestres, eventos culturais e articulação. A plenária final trouxe essas propostas dos grupos e também apontou os representantes de cada organização presente no encontro que formarão a Comissão Local da campanha no município, cuja primeira reunião foi marcada para o dia 29 de novembro, às 08 h, na Associação de Moradores de Águas Lindas.

O encontro terminou com o almoço comunitário e uma animada roda de carimbó que se estendeu até o final da tarde, celebrando a consolidação de mais um pólo para a campanha, fortalecendo cada vez mais esse processo.



Canal de Vídeos

Espaço reservado para os vídeos feitos durante a Campanha:

www.youtube.com/campanhacarimbo

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Carimbó mobiliza comunidade e grupos em Ananindeua

Encontro da Campanha
¨Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro¨
reúne carimbozeiros de Ananindeua
e Região Metropolitana de Belém
pela valorização do gênero


Ananindeua se organiza para realizar seu 1º Encontro de Articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”. No próximo domingo, 23 de novembro de 2008, os grupos, seus mestres, músicos e dançarinos, as entidades culturais e as instituições públicas de cultura locais poderão conhecer mais sobre o processo de registro do carimbó, além de discutir propostas de organização da Comissão Local da Campanha, buscando estruturar e planejar suas atividades no município. O evento terá também a participação do IPHAN e do DPHAC/SECULT, que farão esclarecimentos à comunidade sobre o andamento desse registro na região.

O encontro será ainda um espaço de intercâmbio entre os músicos, mestres e produtores – alguns vindos de outras cidades do interior do Estado – que fazem um carimbó no contexto urbano, com a utilização de instrumentos musicais elétricos, por exemplo, mas sem deixar de lado a tradição do instrumental pau-e-corda. Além disso, é o momento de integração entre grupos de carimbó e grupos parafolclóricos, numa união pela valorização da cultura paraense.

A coordenação local do evento é dos grupos “Amigos do Carimbó”, do “Pindorama”, do “Fogo Fagô” e da Associação dos Moradores de Águas Lindas (AMA Lindas), tendo o apoio do IPHAN, SECULT, Fundação Curro Velho e FUNTELPA.

SERVIÇO:

1º Encontro de Articulação da Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro” em Ananindeua
Dia 23 de novembro de 2008 (domingo), das 8h às 13h, na Escola Municipal Clóvis de Souza Begot (Rua Osvaldo Cruz, ao lado do Posto de Saúde de Águas Lindas).

sábado, 8 de novembro de 2008

Confira a agenda cultural do mês de novembro

* I Encontro de Música Paraense, com o objetivo principal de reunir anualmente os grupos da capital e da Zona do Salgado paraense para mostrar seus trabalhos regionais e valorizar a Cultura através da música.

DATA: 22 de novembro (sábado)
HORA: Das 10h às 17h
LOCAL: SINTUFPA - sede campestre (Avenida Dalva, no final da linha do Djalma Dutra)
VALOR: R$ 2,00
CONTATOS: (91) 8884-9952 / 9634-7347

GRUPOS MUSICAIS:

Raiz do Cafezal
Sancari
Tambor Amazônico
Moara
Pai D'égua
Sabor Marajoara
Os Curupiras
Balanço do Norte
Igapê
Raiz do Pará

* Aniversário do grupo de carimbó Unidos do Paraíso, de Santa Bárbara (12 anos)
DATA: 8 de novembro.
HORÁRIO: A partir das 20h.
LOCAL: Centro Comunitário de Sta. Bárbara.

* Circuito Cultural do Marajó (em São Sebastião da Boa Vista), com roda de conversa da Campanha no dia 8
DATA: 5 a 9 de novembro.

* Roda de Carimbó do Grupo Muiraquitã
DATA: 9 de novembro (2º domingo)
HORÁRIO: A partir das 14h, até às 21h.
LOCAL: Memorial dos Povos (Avenida Governador José Malcher, próximo à Praça da República – Belém-PA)

*Roda de Carimbó do grupo Os Curupiras
DATA: 14 de novembro (sexta-feira - véspera do feriado)
HORÁRIO: A partir das 22h.
LOCAL: Bar Estrela Dalva (Rua dos Mundurucus, esquina com a Três de Maio - Cremação, Belém-PA).
CENSURA: 18 ANOS
ENTRADA FRANCA

* Próximo encontro ampliado de articulação da Campanha em Belém
DATA: 22 de novembro.
HORÁRIO: 8h.
LOCAL: Secretaria da Campanha (Domingos Marreiros, 728 – entre 14 de Março e Generalíssimo Deodoro)

* Encontro da Campanha em Cachoeira do Arari
DATA: 15 de novembro.

* Teia- Encontro Nacional dos Pontos de Cultura / Brasília-DF
DATA: 12 a 16 de novembro.

* Encontro da Campanha em Ananindeua
DATA: 23 de novembro.
HORÁRIO: Das 8h às 13h.
LOCAL: Escola Municipal Clóvis de Souza Begot (Rua Osvaldo Cruz, ao lado do Posto de Saúde de Águas Lindas – Bairro Águas Lindas, Ananindeua-PA).

* Festival “Maria Pretinha” de Quatipurú, com oficinas e roda de mestres. Saiba mais sobre o Festival aqui.
DATA: 28 a 30 de novembro.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Produtor musical de São Paulo faz registro sonoro do Carimbó

O músico e produtor Alfredo Bello, que já viajou por todo o Brasil para pesquisar sobre a cultura musical popular, está agora no Pará para gravar em áudio e vídeo mais uma manifestação da tradição cultural do país: o carimbó. Em parceria com a Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro”, Alfredo esteve em cidades do interior paraense durante o fim de semana para gravar com grupos e mestres. Nesta terça-feira (28), ele estará com grupos de Icoaraci também para fazer o registro.

O trabalho de gravar e publicar discos representativos da cultura musical popular é realizado desde 2004, quando o produtor lançou o selo Mundo Melhor, após mais de dez anos de pesquisa. O Mundo Melhor se divide em duas séries: Brasil Passado Futuro (BPF), linha onde serão feitas as gravações do carimbó, e a série Novas Estruturas, voltada para a gravação de trabalhos mais experimentais, “produções musicais contemporâneas com um pé na tradição e outro no novo”.

Atualmente, as tradições musicais produzidas no Terreiro Du Passo – estúdio onde são gravados os registros do Mundo Melhor –, são disponibilizadas pela internet através do blog www.selomundomelhor.org. Lá estão arquivados músicas, fotos, vídeos e textos que permitem uma compreensão maior do universo cultural pesquisado e do trabalho desenvolvido por Alfredo em benefício dessas manifestações da música popular tradicional.

Veja abaixo os locais e os grupos / mestres a serem registrados por Alfredo Bello, no Estado do Pará:

- Unidos do Paraíso (Santa Bárbara)
- Mestre Pedro, Mestre Montano, Mestre Roque (Fortalezinha – Ilha de Maiandeua)
- Grupo Alegria de Cafezal (Magalhães Barata – Cafezal)
- Mestre Coutinho, Grupo Caçulas da Vila e Grupo Águia Negra (Icoaraci).

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Carimbó celebra a diversidade cultural no Círio de Nazaré


Grupos e mestres carimbozeiros participaram de shows, rodas e homenagens à padroeira dos paraenses

O Círio de Nazaré, maior festa religiosa do país, também mobilizou os diversos grupos e mestres de carimbó que lutam pelo reconhecimento deste tradicional gênero musical paraense como patrimônio imaterial do Brasil. Seguindo o exemplo do próprio Círio, que já foi registrado como patrimônio cultural brasileiro em 2004, os carimbozeiros tomaram parte em várias atividades culturais promovidas na cidade de Belém durante estes dias.


A programação iniciou na terça-feira anterior ao Círio (dia 7) com a apresentação de grupos com diferentes sotaques de carimbó na Tenda do Carimbó, montada pela SECULT no Píer da Casa das 11 Janelas como parte do evento "Nazaré de Todos Nós", que trouxe vários shows musicais (incusive de artistas como Chico César, Arraial do Pavulagem e Trio Manari) para o público presenta na capital. Para mostrar um pouco da diversidade cultural do carimbó paraense, a tenda recebeu o grupo "Os Africanos" da Vila de Icoaraci, o grupo "Raízes da Terra" de Marapanim e o grupo "Os Quentes da Madrugada" de Santarém Novo, cada um deles com sonoridade, estilo de dança e tradições singulares, próprias do contexto histórico e cultural de suas comunidades.

Durante as três noites do evento, a Campanha do Carimbó mobilizou voluntários que colheram centenas de assinaturas de apoio ao pedido de registro feito ao IPHAN em fevereiro, assinaturas essas que expressam o desejo da sociedade em geral de ver o carimbó reconhecido oficialmente como patrimônio cultural de nosso país.


No sábado pela manhã o carimbó montou sua tenda em plena Feira do Ver-O-Peso para receber a procissão fluvial e prestar sua homenagem à Santa. O grupo "Sancari", que reúne músicos de Cachoeira do Arari, Cafezal e Belém, foi quem organizou e conduziu a festa, em parceria com os feirantes, mantendo uma tradição que se realiza há vários anos nesse local. Com a presença de muitos simpatizantes do carimbó, incusive turistas, o grupo tocou e dançou até o sol ficar a pino, sempre divulgando a iniciativa do registro do carimbó como patrimônio imaterial.


Logo em seguida o Arraial do Pavulagem deu início ao já tradicional Arrastão da Cobra Grande, que levou uma multidão pelas ruas da Cidade Velha até a Praça do Carmo, onde milhares de pessoas dançaram no ritmo do boi e do carimbó. Mais assinaturas de apoio foram coletadas pela Campanha durante o evento, que a cada ano atrai cada vez mais participantes nessa grande celebração da diversidade cultural da Amazônia.

No sábado à noite foi a vez do carimbó pau e corda do grupo "Borboletas do Mar", de Marapanim, animar a famosa Festa da Chiquita, evento profano e lúdico que se realiza há décadas no lendário Bar do Parque, reunindo a diversidade sexual e cultural da cidade de Belém. Próximo dali, no Anfiteatro da Praça da República, bandas e músicos de vários estilos participavam do Cirial 2008, mostra musical alternativa promovida há vários anos e que também manifestava apoio ao registro do carimbó.

No domingo, dia do Círio, a emoção tomou conta dos carimbozeiros e do povo presente dentro e fora da Casa da Linguagem, em plena Avenida Nazaré, quando foi realizada uma das mais belas homenagens à padroeira: batucando uma dezena de curimbós e tocando os instrumentos tradicionais do estilo pau-e-corda, músicos de vários grupos saudaram a passagem da berlinda cantando "Vós sois o lírio mimoso" em ritmo de carimbó, provocando uma alegre e emocionada reação dos romeiros que levavam a corda e até do arcebispo D. Orani, que chegou a ensaiar um passo de dança...


Organizada pela Fundação Curro Velho, a homenagem levou à multidão a informação da campanha pelo registro do carimbó como patrimônio cultural brasileiro, cujos representantes falaram e cantaram sobre essa iniciativa. O grupo "Raízes da Terra" (Marapanim) também tocou uma das músicas feitas para a campanha, sendo auxiliado por músicos do grupo Unidos do Paraíso (Sta. Bárbara) Grupo Regional Iaçá e do Paranativo (Belém).

No próximo ano, a perspectiva da coordenação da campanha é ter mais atividades e uma presença cada vez mais intensa do carimbó dentro do Círio, uma vez que ambos são patrimônio cultural do povo paraense e brasileiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Nazaré de Todos Nós" mostra a diversidade do carimbó paraense


Programação musical da SECULT em homenagem ao Círio traz vários sotaques de carimbó a Belém nos dias 7, 8 e 9 de outubro

Belém já vive o clima do Círio de Nazaré, a maior manifestação religiosa do país e uma das maiores do mundo. Mas o Círio também é um momento de celebração cultural e o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) promove três dias de muita música no píer da Casa das Onze janelas, dentro da programação "Nazaré de Todos Nós", que pretende apresentar a beleza e a diversidade da música paraense e brasileira a todos os que visitam Belém nesta época.

Nos dias 07, 08 e 09 de outubro, a partir das 18h00, vários grupos de carimbó e cantores paraenses, além de atrações nacionais, se revezarão entre a Tenda Carimbó e o Palco no Píer das Onze Janelas com shows abertos ao público. Entre eles, estão o grupo de rock Autoramas (do Rio de Janeiro) e o cantor Chico Cezar, que contará com a participação do Trio Manari, uma das principais referências da música paraense contemporânea.

Na Tenda Carimbó, a diversidade e tradição do autêntico carimbó paraoara irá se apresentar com três grupos de diferentes regiões do Estado, com sotaques e identidades singulares, celebarndo o ritmo e expressão cultural que está em plena campanha para ser reconhecido como patrimônio cultural brasileiro.

No dia 07 (terça-feira), da Vila de Icoaraci vem o grupo Os Africanos, liderado por Mestre Coutinho desde 1952 e que é o mais antigo conjunto de carimbó em atividade na cidade de Belém.

No dia 08 (quarta-feira) é a vez do tradicional carimbó de Marapanim, no salgado paraense, representado pelo grupo Raízes da Terra, conduzido por Mestre Bento há 15 anos e uma das expressãos do carimbó praiano, continuadores da sonoridade forjada por mestres como Lucindo e Cantídio.

No dia 09 (quinta-feira) a noite é do carimbó de Santarém Novo, com o grupo Os Quentes da Madrugada, da centenária Irmandade de São Benedito, com seu ritmo sincopado e sua sonoridade única de percussão e voz que se mantém há várias gerações.

Além dos grupos de carimbó teremos o Coletivo Rádio Cipó com participações especiais de D. Onete e Mestre Laurentino, Walter Freitas, Mário Moraes e Rafael Lima, Almino Henrique, Gláfira, Alba Maria, Maria Lídia, Arraial do Pavulagem, Eduardo Dias, Pinduca e Trio Manarí. O acesso aos shows são totalmente gratuitos.

O projeto "Nazaré de Todos Nós" envolve ainda têm programação extensa, feita pelos órgãos culturais do Estado, reunindo música, exposições, a comemoração do aniversário de 23 anos da Rádio Cultura e o lançamento do edital dos Pontos de Cultura para o Estado do Pará, que também será feito no Píer da Casa das Onze Janelas, no dia 09, às 21 horas.

Confira abaixo a programação musical:

07 OUT
TENDA CARIMBÓ - 18 h
Os Africanos de Icoaraci

PALCO PRINCIPAL - 19h30
Walter Freitas/Mário Moraes e Rafael Lima
Coletivo Rádio Cipó / D. Onete e Mestre Laurentino
Autoramas – RJ

08 OUT
TENDA CARIMBÓ - 18 h
Raízes da Terra

PALCO PRINCIPAL - 19h30
Almino Henrique
Gláfira / Alba Maria e Maria Lídia
Arraial do Pavulagem

09 OUT
TENDA CARIMBÓ - 18 h
Os Quentes da Madrugada/
Irmandade de São Benedito

PALCO PRINCIPAL - 19h30
Eduardo Dias
Pinduca 21h – Lançamento do Edital dos Pontos de Cultura
21h30 -Chico César e Trio Manari

(Fonte: SECULT)

Carimbó é tema de debate no seminário "A Memória Musical na Amazônia"


Evento na UFPA discutirá o carimbó paraense como tema para pesquisas e projetos acadêmicos

O seminário "A Memória Musical na Amazônia", promovido pelo Programa de Pós-graduação em História da UFPA, pretende reunir em Belém diretores dos acervos e de instituições de cultura, pesquisadores, músicos e estudantes em torno de temas como: conservação e modernização dos museus; questões musicológicas e históricas a serem llevantandas por pesquisas acadêmicas e para performance; políticas públicas para o patrimônio cultural e estratégias de acessibilidade para o público.

Com início nesta terça-feira, 7 de outubro, o seminário terá em sua primeira conferência a participação da Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro", representada por Isaac Loureiro (Santarém Novo), que irá falar da importância do carimbó para a história da música amazônica e brasileira. O convite partiu dos organizadores do evento, Marta Geórgia e Aldrin Figueiredo.

O evento segue até o dia 9 de outubro, no auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, com inscrições gratuitas através do site http://memoriamusical.web12.f3.k8.com.br

Confira abaixo a programação completa do Seminário:

Dia 07/outubro:

9h ABERTURA
CONFERÊNCIA: A MEMÓRIA MUSICAL NA AMAZÔNIA
Prof. Dr.Márcio Páscoa (UEA)
Prof. Edilson Moura (Secretário de Cultura do estado do Pará -SECULT)
Sr. Isaac Loureiro (Campanha Carimbó – Patrimônio Brasileiro)
Debatedor: Prof. Dr. Aldrin Figueiredo (PPHIST – UFPA)

11h M-RI : OS ACERVOS MUSICAIS DO ESTADO DO PARÁ E AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PATRIMÔNIO CULTURAL
Prof. Ms. Jonas Arraes (Acervo Vicente Salles/ UEPA)
Sra. Paula Macêdo (MIS –SIM)
Sr. João Moreira (Fonoteca Satyro de Mello – FCTN)
Debatedora: Prof. Ms Daniel Araújo (ICG)

14h M-R II: A PESQUISA NOS ACERVOS DE MÚSICA
Profa. Dra. Vanda Freire (UFRJ)
Prof. Ms. Luiz Augusto Leal (UFBA)
Prof. Dr. Antônio José Augusto (UFRJ)
Debatedora: Ms. Dorothéa Lima ( IPHAN)

Dia 08/outubro

9h MRIII: ACERVO VIVO – INICIATIVAS LOCAIS E NACIONAIS DE PERFORMANCE E DIFUSÃO DA MÚSICA AMAZÔNICA
Prof. Dr. Valério Fiel (USP)
Sr. Gilberto Chaves
Profa. Dra. Lílian Barros (UFPA)
Debatedor: Prof. Paulo Assunção (IAP)

11h MR: O “PÚBLICO AMAZÔNICO” VISITA AS SUAS MEMÓRIAS NOS MUSEUS?
Prof. Dra. Lia Braga (UEPA/UFPA)
Profa. Iracy Gallo Ritzmann (SEDUC)
Profa. Lélia Fernandes (DPHAC-SECULT)
Prof. Ms. Urubatan de Castro (UEPA)
Debatedora: Profa. Dra.Magda Ricci (UFPA-ARQUIVO PÚBLICO)

14h GT’S: PATRIMÔNIO CULTURAL AMAZÔNICO: ESTUDOS E REGISTROS

Dia 09/outubro

09h às 16h VISITAÇÃO COORDENADA AOS ACERVOS DE MÚSICA DO ESTADO

LANÇAMENTO DA 1ª EDIÇÃO DA COLEÇÃO LITERÁRIA DO PPHIST-UFPA EM HOMENAGEM AO PROF. VICENTE SALLES
CULTURAL: MEMÓRIA VIVA

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Iaçá realiza roda de carimbó

O Grupo de Cultura Regional Iaçá realiza no próximo domingo, 5 de outubro, sua roda de carimbó. O evento começa a partir das 15h e terá show ao vivo com ritmos tradicionais, como o carimbó, o xote bragantino, o lundu e as toadas de boi. Além disso, o grupo apresentará vídeos inéditos e demais produções do Ponto de Cultura Iaçá.

DATA: 05/09/2008
HORA: A partir das 15h
LOCAL: Travessa Lomas Valentinas, 1080 (entre Marquês de Herval e Visconde de Inhaúma). Bairro Pedreira.
INGRESSO: R$ 2,00
INFORMAÇÕES: 3083-9360 / 3277-1212 / 8184-5958 / 8877-4417

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quentes da Madrugada leva carimbó pau & corda ao Rio de Janeiro


Show, baile e oficina na capital carioca encerram circulação do Carimbó de São Benedito pelo sudeste do país

No Rio desde o dia 17 de setembro (depois da animada temporada em SP), o grupo de carimbozeiros “Os Quentes da Madrugada” realizou várias apresentações e bailes de carimbó em diversos espaços culturais da cidade maravilhosa. Entre eles, a Casa Brasil Mestiço e o Centro Cultural Recordatório – ambos na Lapa –, além dos shows no SESC Madureira e na animadíssima Feira de São Cristovão, o mais importante centro de cultura nordestina da cidade.

A Casa Brasil Mestiço, uma das principais espaços de música popular brasileira no Rio de Janeiro, recebeu Os Quentes na noite do dia 17 para um grande baile de carimbó que foi conduzido com energia e maestria pelas vozes potentes de Candinho e Ticó, acompanhadas do batuque vigoroso dos tambores de mestre Dico Boi, Sota e Manelão e pela cozinha firmada por Zé Pitanga, Léo, Moquinha, Preto, Evandro e Sabá. Os movimentos da dança foram testados e aprovados pelos cariocas, com uma ajudinha dos dançarinos que acompanham o grupo, levando a festa até a madrugada.


O dia seguinte marcou o encontro dos Quentes da Madrugada com a comunidade maranhense do Rio de Janeiro, através do Centro Cultural Recordatório, referencial importante da cultura popular do Maranhão na capital carioca. Nesse espaço foi realizada mais uma oficina de confecção de instrumentos, ministrada pelos mestres Sabá, Dico Boi e Ticó, que mostraram as técnicas tradicionais para a construção dos tambores, maracas e réque-réque, usados pelo grupo para tocar carimbó. À noite foi a vez do baile de carimbó revelar que a proximidade entre a cultura paraense e a maranhense é maior que se imagina, sendo a festa, a música e a dança elementos centrais na cultura popular de ambos os estados. A presença de vários filhos de Santarém Novo que hoje moram no Rio também aumentou o clima de confraternização do local.

Na tarde do dia 19, Os Quentes e seu carimbó foram recebidos no SESC de Madureira, comunidade das escolas de samba Portela e Império Serrano. Já no sábado (20) à noite, a tradicional Feira de São Cristovão (maior reduto da cultura nordestina no Rio de Janeiro) foi o local escolhido para encerrar a circulação nacional dos Quentes da Madrugada. Apresentando-se na Praça Patativa do Assaré, espaço central da imensa feira, o grupo mostrou ao que veio e conquistou a simpatia do público carioca e nordestino presente no local, concluindo com sucesso a missão de mostrar a tradição do carimbó de Santarém Novo e do Pará ao restante do país.


CAMPANHA

Também na luta para ser reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro, a Feira de São Cristovão foi um local de grande visibilidade para a Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro", proporcionando um importante diálogo entre as tradições culturais do Norte e Nordeste do Brasil, o que favoreceu a articulação de valiosas alianças entre o carimbó e as demais expressões culturais nordestinas. Muitas assinaturas de apoio ao registro foram coletadas nesta e nas demais atividades realizadas no Rio, reafirmando a importância do carimbó para a cultura brasileira.

Agradecimentos especiais: Petrobrás, SECULT/PA, Fundação Curro Velho (PA), COIMP (PA), Renata Amaral, André Magalhães, A Barca e sua equipe (SP), SESC Pinheiros e Pompéia (SP), Associação Cachuêra! (SP), André e D. Lúcia (Jongo de Guaratingutá), Rômulo e Ramóm (Mariocas/RJ), Recordatório e Brasil Mestiço (RJ), SESC Madureira (RJ), Janaína Reis e Estela (RJ), Marabá (Feira de S. Cristovão/RJ), Bessa e Adélia (Bessatur/PA).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Curso de Patrimônio Imaterial

Estão abertas até 26 de setembro as inscrições para a segunda edição do curso “Patrimônio Imaterial: política e instrumentos de identificação, documentação e salvaguarda”, uma realização da UNESCO com coordenação geral da COMUNA S.A. Ele acontecerá no período de 29 de setembro a 02 de dezembro e as aulas serão ministradas à distância (pela internet), por meio da plataforma de educação à distância da empresa Duo Informação e Cultura.

O objetivo do curso é informar sobre a política e as ações desenvolvidas nesta área, incentivando o espírito crítico dos participantes e qualificando-os para desempenhar ações mais efetivas e conscientes, que tenham como foco o patrimônio cultural de natureza imaterial.

No conteúdo, “Ambientação em EAD” (Módulo 1), “O patrimônio Imaterial: bases conceituais” (Módulo 2) e “Instrumentos e práticas de salvaguarda” (Módulo 3). Haverá avaliação da participação do aluno no fórum de debates e, aos que atingirem a participação mínima exigida, será outorgado certificado de curso livre fornecido pela DUO Informação e Cultura e chancelado pela UNESCO.

PÚBLICO-ALVO:
- Pesquisadores;
- Gestores de órgãos ligados às Prefeituras Municipais, com foco nas cidades incluídas em programas especiais da área de patrimônio;
- Gestores públicos da área cultural;
- Professores e alunos de universidades Federais e Estaduais.

VAGAS:
Serão oferecidas 160 vagas por turma, e a DUO Informação e Cultura reserva-se no direito de cancelar o curso, caso não atinja o número mínimo de alunos, com a devida devolução de valores (inscrição) e documentos.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: www.duo.inf.br

Muiraquitã realiza roda de carimbó


O grupo Muiraquitã, um dos apoiadores da “Campanha Carimbó Patrimônio Cultural”, fará uma roda de carimbó no próximo domingo, 21 de setembro, a partir das 14h. A roda, que faz parte da programação mensal do grupo, acontece sempre no 2º domingo de cada mês, no Memorial dos Povos.

SERVIÇO:
Data: 21 de setembro
Hora: A partir das 14h.
Local: Memorial dos Povos (Avenida Governador José Malcher, esquina com Dr. Moraes, Nazaré - Belém-PA).
Informações: 9985-8022 / 8817-4551

Carimbó e Jongo realizam encontro histórico em Guaratinguetá


Tradições de raízes comuns, o carimbó de São Benedito e o Jongo do Tamandaré tecem alianças e celebram a diversidade cultural do Brasil



A noite fria da última terça-feira na cidade de Guaratinguetá (SP) esquentou rapidamente para a comunidade do Tamandaré, tradicional reduto do Jongo paulista, ao receber a visita do grupo "Os Quentes da Madrugada", da Irmandade de Carimbó de São Benedito da cidade de Santarém Novo/Pará.

O encontro histórico e inédito entre essas duas comunidades tradicionais, que souberam preservar suas manifestações e identidades culturais ao longo de séculos, é uma das atividades realizadas através do projeto de circulação nacional do Carimbó da Irmandade de São Benedito, sob o patrocínio da Petrobrás e com o apoio do Governo do Pará, SECULT, Fundação Curro Velho e COIMP.

Como se fossem parentes que não se vêem há muito tempo, aquecidos por uma alegria de reencontro, o tambor do Carimbó e o tambu do Jongo tocaram juntos pela primeira vez na quadra da Escola de Samba Unidos do Tamandaré, onde funciona o Ponto de Cultura Bem-te-vi, que é gerido pela Associação Jongueira do Bairro do Tamandaré, em Guarátinguetá, cidade do interior paulista conhecida por ser a terra natal de Frei Galvão.

Os carimbozeiros de Santarém Novo foram recebidos por várias lideranças e jongueiros da comunidade, como Dona Lúcia, presidente da Associação, André, vice-presidente e tocador de tambu, além de outras pessoas que venceram o frio e foram conhecer o carimbó paraense, cheios de curiosidade e simpatia. A notícia da vinda dos "Quentes" mobilizou toda a cidade, tendo até chamadas em rádios locais.

Depois das apresentações, Dona Lúcia e André falaram um pouco sobre a história do Jongo do Tamandaré, sobre o Ponto de Cultura e os frutos do reconhecimento do Jongo como patrimônio imaterial do Brasil, uma conquista ocorrida em 2002 e que ajudou a fortalecer a manifestação na comunidade e em toda a região.

Em seguida, Isaac Loureiro, integrante da Irmandade, falou sobre a tradição do Carimbó de São Benedito e sobre a Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro", que também está buscando esse reconhecimento oficial desta manifestação ancestral do povo paraense.

Para encerrar o encontro, formou-se então uma roda de Jongo e Carimbó, com os tambores ecoando na noite paulista reafirmando a memória de luta, resistência e manutenção das identidades de nosso povo, seja no norte ou no sudeste deste país.

A rede de aliança e amizade estava tecida, e a viagem do Carimbó pelo Brasil podia continuar, rumo ao Rio de Janeiro, nossa próxima parada...


SAIBA MAIS SOBRE O JONGO DO TAMANDARÉ

Nos tempos do cativeiro, o Jongo era dançado pelos negros que trabalhavam nas plantações de café do Vale do Paraíba, nas fazendas do sul de Minas Gerais e Espírito Santo. A dança acontece tradicionalmente à noite, celebrando o 13 de maio ou integrando algumas datas significativas do catolicismo popular: festas juninas, Divino Espírito Santo etc.

Através de imagens metafóricas referidas ao universo rural - animais, plantas, carro de boi - os jongueiros “conversam” entre si, seguindo em alguns casos regras bastante estritas de “alinhamento” e encadeamento dos pontos, como são chamados os versos cantados no jongo. O prestígio de um jongueiro se mede pela sua habilidade em amarrar os rivais com a força de seus pontos astuciosamente talhados, bem como pelo seu conhecimento da linguagem cifrada do jongo, que lhe permite “sair” dos pontos propostos pelos outros.

O tambu, tambor maior, e o candongueiro, menor, compõem o instrumental do Jongo, juntamente com o chocalho denominado guaiá, e, em alguns grupos cariocas, a puíta, uma cuíca ancestral de som grave. Quando deseja parar a dança e cantar novo ponto, o jongueiro coloca a mão sobre os couros e grita “Cachuera!”. Padrões rítmicos e coreografia adquirem diferentes características, segundo a comunidade, das evoluções de um solista ou par solista ao centro da roda a um simples giro anti-horário dos participantes em torno dos tambores.

Nesta apresentação, jongueiros do bairro do Tamandaré, periferia de Guaratinguetá, na Região do Vale do Paraíba, pedem licença aos tambus para mostrar parte dos fundamentos desta dança ancestral, recentemente registrada como Patrimônio Imaterial do Brasil. A dança é divertida e convidativa, abrindo espaço para a participação do público na roda e no acompanhamento dos pontos cantados.

O grupo do Jongo do Tamandaré, à moda dos grupos tradicionais da cultura negra, concentra-se em torno da estrutura familiar. Dançado, sobretudo, nas festas juninas, pais, irmãos, primos, tios e agregados podem se reunir para brincar o jongo em outras ocasiões festivas. O grupo do Tamandaré é um dos mais conhecidos do gênero e participa há alguns anos do Encontro de Jongueiros, tendo sediado uma das edições. Recentemente, através da associação criada para a defesa e fomento da tradição do Jongo, foi escolhido pelo MinC como Ponto de Cultura.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Inscrições abertas para o Projeto Pixinguinha 2008

Seleção irá premiar artistas da música popular
em todos os estados brasileiros


O PROJETO PIXINGUINHA 2008 - PRÊMIO PRODUÇÃO está com inscrições abertas para compositores, intérpretes, instrumentistas e grupos que atuem em todos os gêneros da música popular brasileira. O projeto da Fundação Nacional de Artes irá contemplar dois músicos ou grupos de cada estado brasileiro com um prêmio de R$ 90 mil, para produzir seus próprios espetáculos e gravar um CD.

Os interessados devem enviar à Funarte, por correio, o projeto acompanhado de currículo e ficha de inscrição até 3 de outubro de 2008. Na proposta deve constar um CD com no mínimo três gravações inéditas do artista ou grupo. As inscrições aptas a concorrer serão julgadas por cinco comissões - uma em cada região brasileira - formadas por três membros de notório saber em música popular. Os principais critérios de avaliação são a qualidade, a originalidade e a contribuição para o desenvolvimento artístico e estético da música popular no país.

Os selecionados terão seis meses para produzir um CD e apresentar espetáculos em pelo menos três municípios de seu estado. A Funarte vai promover oficinas de capacitação para os participantes, ministradas por especialistas nas diversas etapas de desenvolvimento dos projetos, de forma a contribuir para a profissionalização do setor.

O edital, a ficha de inscrição e o modelo de contrato estão disponíveis no site da Funarte, no endereço: http://www.funarte.gov.br/novafunarte/funarte/noticia.csp?NoticiaId=734

O PROJETO - Muitos artistas que hoje integram o primeiro time da música brasileira, como Djavan, Zé Ramalho e Adriana Calcanhoto, começaram a ganhar projeção nacional a partir de suas participações no Projeto Pixinguinha, desde que o programa foi criado, em 1977. Interrompido em 1998, o Pixinguinha foi retomado em 2004, com patrocínio da Petrobras, reunindo até o ano passado um público aproximado de 250 mil pessoas.

PIXINGUINHA - Para muitos críticos, Pixinguinha é um nome-chave da música brasileira. À frente do grupo Os Oito Batutas, foi o protagonista do cenário musical brasileiro no início do século 20, período em que o samba se tornou um dos símbolos da identidade nacional. Alfredo da Rocha Vianna Filho foi também um dos primeiros artistas a levar o samba e o choro às platéias européias.

Texto: Funarte (adaptado).

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Carimbó de São Benedito encanta paulistas e fortalece a campanha pelo registro


Energia e tradição do grupo "Os Quentes da Madrugada" abre espaços para o carimbó em SP

Com uma concorrida oficina realizada na Associação Cachuêra! ontem à noite, o grupo "Os Quentes da Madrugada", da Irmandade de Carimbó de S. Benedito (Santarém Novo/PA), encerrou o ciclo de apresentações e atividades na capital paulista dentro do seu projeto de circulação nacional.

O grupo de carimbozeiros tradicionais conquistou a simpatia do público paulistano com seu carimbó sincopado e energético, cuja sonoridade baseada exclusivamente em percussão e voz surpreendeu pela qualidade e maestria de seus músicos devotos, a maioria pescadores e agricultores da cidade de Santarém Novo, no interior do Pará.

Também chamou a atenção do público o estilo de dança peculiar dessa vertente de carimbó, com os pares dançando em forma de baile com os trajes tradicionais exigidos pela Irmandade nas festas de seu Barracão: paletó e gravata para os homens e saia rodada para as mulheres. O público gostou tanto que nas apresentações seguintes já se viam pessoas vestidas dessa forma, ávidas para também dançar ao som do carimbó.

No sábado, o grupo de apresentou no hall de entrada do SESC Pinheiros, local onde já havia tocado em novembro de 2004 quando participou do projeto Um Sopro de Brasil. Em seguida, cerca de 40 pessoas participaram de uma oficina-vivência realizada no próprio SESC, onde o público conversou com os músicos e dançarinos sobre vários aspectos da tradição do carimbó de São Benedito.

No domingo, o dia começou com uma oficina de confecção de instrumentos novamente no SESC Pinheiros, conduzida pelos mestres Sabá, Dico Boi e Ticó. Foi apresentado um pequeno vídeo sobre as oficinas realizadas em Santarém Novo pelo mestre Sabá, mostrado como está se dando o processo de transmissão desse saber para as novas gerações. Os participantes também aprenderam a fazer as tradicionais maracas ou maracás de cuia e sementes, além de presenciarem a colocação do coro de um dos tambores da Irmandade. Em seguida, o grupo fez nova apresentação no mesmo local com a participação de dezenas de pessoas.

À noite, um momento de grande emoção para o grupo foi a participação no show de encerramento das comemorações de 10 anos do grupo A Barca, antigos aliados da Irmandade desde 1999. A junção do batuque ligeiro e sincopado dos "Quentes" com a sonoridade suave do grupo paulistano fez o público presente no teatro do SESC Pompéia (completamente lotado) sentir arrepios profundos, terminando por levar todos à dança. A noite encerrou com o baile na Associação Cachuêra! onde o clima das festas do Barracão da Irmandade parecia ter se instalado no salão repleto de damas e cavalheiros, todos dançando e girando ao som do baque alucinado das mãos de mestre Dico Boi.

Na segunda, encerrando o ciclo paulistano, uma oficina também no Cachuêra! proporcionou um importante momento de diálogo e troca de informações entre os integrantes dos "Quentes" e várias pessoas, entre elas pesquisadores, artistas, educadores etc.

Em todas as atividades a Campanha "Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro" teve sempre um destaque importante, inclusive com a coleta de assinaturas de apoio ao processo de registro junto ao público presente. Um saldo importante foi a aliança estabelecida com o Cachuêra! para a divulgação da campanha em São Paulo.

Hoje o grupo parte em direção ao Rio de Janeiro, parando antes em Guaratinguetá (SP) para um encontro histórico entre o Carimbó e o Jongo de Tamandaré.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Conjunto Regional Os Curupiras promovem Roda de Carimbó

Com os objetivos de divulgar a música regional e folclórica paraense, apoiar a Campanha “Carimbó Patrimônio Cultural” e viabilizar a criação da sua Associação, o conjunto musical “Os Curupiras” convida grupos parafolclóricos, grupos de carimbó, conjuntos regionais, apoiadores da cultura paraense, amigos e comunidade em geral para participarem no próximo domingo da roda de carimbó do grupo, que também contará com o melhor da música regional paraense, como xote, retumbão, lundu, merengue, boi e guitarradas.

Durante a festa, pagando R$ 1,00 ou R$ 2,00 os participantes poderão concorrer a prêmios, como camisas e bolsas de estudo em curso de redação e informática. Os recursos serão revertidos para fundar a Associação “Os Curupiras”.

DATA: 21 / 09 / 08
INÍCIO: 15h
LOCAL: Bar Estrela D’alva (Rua dos Mundurucus, esquina com Três de Maio. Bairro da Cremação, Belém-PA).
INFORMAÇÕES: (91) 3249-9202 / 8202-1171 / 8851-2849 / 8148-5637.


Sobre o grupo:

O Conjunto Regional Os Curupiras nasceu da união de músicos que faziam parte de grupos folclóricos do município de Belém-Pa, após um deles ter sido convidado a apresentar música regional e folclórica paraense num projeto de uma escola da capital.

Com a boa aceitação por parte do público presente no evento, sugiram contatos para outras apresentações, como em congressos, aniversários, eventos, bares, restaurantes etc. Mesmo sem nome definido, os amigos aceitarem o desafio e organizaram os ensaios para os shows.

O nome ficou definido logo depois de uma apresentação do grupo. Uma amiga dos músicos sugeriu e por votação ficou definido que a partir daquele momento o grupo se chamaria Conjunto Regional Os Curupiras. “Assim como o curupira defende a fauna e a flora dos predadores, nós, músicos, amigos e “curupiras”, defendemos a música regional paraense divulgando-a para o público valorizar, apreciar, curtir e dançar à vontade”, afirma a coordenação do grupo.